Apagão aéreo na África e Oriente Médio é um problema a resolver, diz IATA

B767 da Linhas Aéreas de Moçambique. IMAGEM: Pedro Aragão via Wikimedia Commons

A Associação Internacional do Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês) informou nesta quarta-feira (16) que entrou em contato com governos da África e do Oriente Médio para tratar da retomada dos voos nessas regiões. A entidade quer que as autoridades locais adotem uma política de testagem mais intensa da população contra a COVID como alternativa às medidas de distanciamento.

As rigorosas medidas de isolamento social que vigoram nas duas regiões impedem a retomada da demanda no setor aéreo, mesmo em um período de reabertura de fronteiras em diversos países.  Atualmente, 35 países das duas regiões estão sob quarentena imposta pelos Governos, medida que atinge os passageiros que chegam do exterior. Em um mês, desde agosto, sete países africanos entraram na lista dos que impõem quarentena obrigatória aos passageiros que desembarcam.

Segundo uma pesquisa divulgada pela IATA, 88% dos usuários em potencial das companhias aéreas em todo mundo nem mesmo considerariam viajar se medidas de quarentena fossem impostas após a chegada aos destinos. O resultado é que as duas regiões permanecem efetivamente confinadas enquanto Europa, América e a maior parte Ásia retomam suas economias.

O vice-presidente regional da IATA para África e Oriente Médio, Muhammad Albakri, disse, em informe à imprensa, que a aplicação de testes de detecção do novo coronavírus pode ser uma medida eficiente para salvar empregos direta ou indiretamente ligados ao setor aéreo. “As medidas de quarentena obrigatórias impedem as pessoas de viajar. Entendemos que a prioridade dos governos é proteger o bem-estar de seus cidadãos, mas essa medida restritiva destrói meios de subsistência. O teste é um método alternativo que também salvará empregos em viagens e turismo”, disse o executivo.

Os níveis de tráfego na África e no Oriente Médio registraram a maior queda de todas as regiões do mundo em julho, em comparação com os níveis no mesmo período de 2019. O tráfego total de passageiros na África em julho de 2020 foi 93,7% abaixo ao do ano anterior enquanto que no Oriente Médio a queda foi de 95,5%.

Ainda de acordo com a IATA, antes da pandemia de COVID-19, a aviação respondia por mais de 6,2 milhões de empregos em todo continente africano, e US$56 bilhões de participação no PIB da região. No Oriente Médio, são 2,4 milhões de trabalhadores que dependem da aviação e US$130 bilhões em PIB. O impacto econômico do colapso do tráfego aéreo em 2020 pode chegar a 3,5 milhões de empregos perdidos e $ 35 bilhões no PIB na África e 1,5 milhões de vagas fechadas e $ 85 bilhões em riquezas nacionais no Oriente Médio.

A IATA defende que, ao desestimular as viagens pela quarentena obrigatória, os governos locais contribuem para os danos causados pela pandemia. “Os testes fornecem uma alternativa segura à quarentena e uma solução para impedir a devastação econômica e social causada pela COVID-19”, finaliza Albakri.

A organização realizou uma pesquisa com passageiros de diversas nacionalidades nos Emirados Árabes Unidos e constatou que 72% dos entrevistados concordam que viajantes com teste negativo para COVID não deveriam ser colocados em quarentena e que 80% acreditam que a pandemia está sob controle e que as fronteiras deveriam ser reabertas.

Fabio Farias
Jornalista e curioso por natureza. Passou um terço da vida entre aeroportos e aviões. Segue a aviação e é seguido por ela.

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