Após 3 meses, ajuda do BNDES às aéreas ainda não veio, e pode nem vir

Desde que a pandemia foi decretada, em março de 2020, os aviões começaram a ser estacionados pelos aeroportos brasileiros e o caixa das empresas aéreas começou a derreter, dia após dia. Ainda naquela época, os presidentes das três maiores empresas aéreas brasileiras – Azul, Gol e Latam – se reuniram com o governo, fizeram lives em conjunto, Paulo Guedes prometeu ajuda, BNDES e Ministério da Infraestrutura idem, a IATA chegou até a comemorar, mas até agora, nada.

Como “quem não tem cão, caça como gato”, cada empresa começou a tomar suas próprias ações e a buscar as fontes que tinha à mão para que pudessem se amparar e manter-se com a cabeça para fora d’água. Seu já reduzido fluxo de caixa via apenas dinheiro saindo, quase sem nenhuma receita entrando. Os cortes de custos desesperados deram a tônica ao momento e as demissões se tornaram inevitáveis, em massa, na casa dos milhares e milhares.

Na outra ponta, investimentos foram cortados, aportes de recursos a um custo exorbitante foram injetados, uma “recuperação judicial” (Chapter 11) foi registrada mas, ainda assim, nada da ajuda que estava sendo desenhada pelo governo.

Agora, três meses depois, surge uma atualização sobre o processo – que ainda não é conclusiva.

Nessa semana, a Reuters teria ouvido duas fontes próximas da negociação. Segundo a agência de notícias, o apoio financeiro, que está sendo estruturado em parceria com grandes bancos, estaria próximo de ser fechado e estaria na casa dos 6 bilhões de reais, dos quais o BNDES entraria com 60% do valor.

No entanto, o Banco estatal ainda destaca que vê uma melhora no setor aéreo e que, assim sendo, “aumenta mais a probabilidade do BNDES não precisar entrar com 60% da operação. Ele pode recuar e dar mais espaço ao mercado”.

Depois de todo o estrago causado às empresas e a suas terceirizadas, a milhares de demitidos, o BNDES diz que está melhorando e que talvez nem precise ajudar. Sabe-se lá qual vai ser o custo dos empréstimos dos bancos às empresas, dado que o risco de crédito é alto. Também não se sabe como chegará às diferentes empresas.

Enfim, enquanto isso, outros países, com maior senso de urgência em “tempos de guerra”, apoiaram suas empresas, sendo o mais emblemático os EUA, que disponibilizou linhas num total de US$50 bilhões, poucas semanas após o início da pandemia e seguraram empregos por meses. Outros exemplos são a Alemanha que disponibilizou $9 bi para a Lufthansa, a França $7 bi para a Air France e Portugal $1,2 bi para a TAP.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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