Após problemas com a Rússia, Antonov fecha acordo com Boeing para retomar produção de aeronaves

A fabricante ucraniana de aviões Antonov, conhecida por produzir a maior aeronave do mundo, planeja retomar a produção de aeronaves em série até o final do ano que vem, graças a um acordo com a Boeing que acabará com a dependência de fornecimento de peças que a fabricante possui com a Rússia.




Apesar de mundialmente conhecida pelos gigante cargueiros An-225 e An-124, a Antonov possui diversos outros modelos de aeronaves de transporte de cargas e de passageiros que não vinham sendo produzidos ao longo dos últimos anos. Isso porque as relações entre a Ucrânia e a Rússia entraram em colapso após a anexação da Crimeia em 2014 e a Antonov, que importava mais de 60% de suas partes de avião da Rússia, interrompeu a produção em série dois anos depois.

Agora, entretanto, a empresa planeja construir oito aviões por ano graças a um acordo com a Aviall, unidade de peças, equipamentos e serviços da Boeing. Os dois ou três primeiros aviões devem estar prontos até o final de 2019, disse o presidente da Antonov, Oleksandr Donets, à Reuters. Ele não deu detalhes sobre futuros clientes. Os principais mercados de vendas da Antonov foram a Rússia, as antigas repúblicas soviéticas e a África.

Juntas, Antonov e Boeing vão instalar centros de armazenamento na Ucrânia até novembro. “O acordo com a Aviall nos deu dois ganhos. Estamos montando um depósito conjunto, localizado no território ucraniano na cidade de Gostomel”, disse Donets. “Este armazém vai lidar com produtos, materiais, metais e não-metais, ou seja, com todos os componentes que não podemos obter do nosso ex-parceiro, a Federação Russa”.

A Antonov foi fundada em 1946 e fabricou cerca de 30 tipos diferentes de aviões, incluindo os dois maiores aviões de carga aérea, o An-124 Ruslan e o An-225 Mriya. O Mriya, construído em 1988 para o programa de ônibus espaciais soviético, ainda é o maior e mais pesado avião do mundo, capaz de transportar uma carga de até 250 toneladas.

An-124 Ruslan, o segundo maior modelo da família de gigantes da ANTONOV




Os líderes da Ucrânia estão empurrando o país em um caminho pró-ocidental, aspirando a se unir à União Européia e à Otan, cortando relações comerciais e diplomáticas com a Rússia e se afastando da dependência de Moscou em setores como defesa e energia. A Ucrânia não importa mais nenhum gás diretamente da Rússia e, em julho, completou outro marco, pois, pela primeira vez, uma unidade de uma de suas usinas nucleares estava totalmente carregada de combustível da empresa norte-americana Westinghouse e não da Rússia.

A Aviall apoiará o novo programa de manufatura da Antonov para construir os aviões AN-1X8 e terá direitos exclusivos para ajudar a atender os aviões, disse Donets, prevendo que a Aviall comprará peças dos Estados Unidos, Canadá, Israel e Europa. A Antonov também quer que a Aviall adquira equipamentos para a fabricante produzir mais peças por conta própria na Ucrânia, disse ele.

An-132D, o mais recente projeto da fabricante. Imagem: ANTONOV

A concorrente da Boeing, a Airbus, também fez uma recente incursão na Ucrânia, anunciando um acordo em julho para vender 55 helicópteros ao Ministério do Interior para missões de busca e salvamento, serviços públicos e serviços médicos de emergência.

Veja também: Antonov 225 completa maior sucessão de voos em uma única missão, realizada na América do Sul.

O gigante An-225 no pátio de Guarulhos

 
Informações pela Reuters.
 

Murilo Basseto

Formado em Engenharia, foi um dos líderes do Urubus Aerodesign da Unicamp e um dos responsáveis por alçar o grupo à elite mundial da engenharia aeronáutica universitária. Atualmente é Editor-Chefe do AEROIN.