Após atrasos no ano, Airbus se supera e marca recorde de entrega de aeronaves

A Airbus bateu sua meta prevista para 2019, depois de entregar um total de 863 aeronaves, marcando um novo recorde e ainda conquistando a liderança da rival norte-americana Boeing, informou a Reuters nesta quarta-feira, 1º de janeiro de 2020.

Aviões Airbus

A mudança na hierarquia entre os dois gigantes até era esperada, como consequência da crise sobre o 737 MAX da Boeing, que ainda se arrastará por 2020. Mas os dados europeus recordes reforçam ainda mais a distância que a Boeing deve percorrer para recuperar sua posição no mercado.

A Airbus, que em outubro foi forçada por seus próprios problemas industriais a reduzir entre 2 e 3% sua meta de entrega de 2019, empregou horas extras até próximo da meia-noite para atingir 863 aeronaves entregues no ano, superando a meta revisada de 860 jatos.

O valor atingido representa aumento de 7,9% em relação às 800 aeronaves em 2018. A Airbus se recusou a comentar os números, que ainda devem ser auditados antes de serem finalizados e publicados.

Remanejamento e recuperação

A contagem da Airbus, que incluiu cerca de 640 aeronaves de corredor único (“narrowbody”), quebrou recordes da indústria depois que a companhia remanejou milhares de trabalhadores e cancelou feriados para finalizar aviões semi-acabados que esperavam para que seus interiores fossem ajustados.

A Airbus foi atingida por atrasos na instalação dos novos e complexos layouts de interior dos jatos A321neo montados em Hamburgo, na Alemanha, resultando em dezenas desses e outros modelos sendo armazenados em hangares para aguardar configurações de última hora e a chegada de mais mão-de-obra, como ocorreu com o primeiro exemplar da brasileira Azul.

Avião Airbus A321neo Azul estocado
Airbus A321neo da Azul durante os atrasos de produção

Esse trabalho fora do planejamento padrão aumenta os custos e pode ter um impacto modesto nas margens de lucro da Airbus, mas o impacto será amplamente reduzido pelo alto volume de aviões e pela lucratividade já sólida dessas aeronaves de corredor único, dizem analistas.

Ainda assim, os problemas na instalação de cabines complexas reduziram a capacidade da Airbus de tirar ainda mais proveito da turbulência do mercado em torno do 737 MAX da Boeing, aterrado desde março após dois acidentes fatais.

Tomando como referência apenas o intervalo de janeiro a novembro, a Boeing entregou 345 jatos, menos da metade do número de 704 atingido no mesmo período de 2018, quando o MAX estava sendo entregue normalmente. Durante todo o ano de 2018, a Boeing entregou 806 aeronaves.

Trabalho na véspera das festividades

As fábricas da Airbus tradicionalmente param no Natal e no Ano Novo, mas os problemas com os interiores fizeram com que as instalações de conclusão de interior e os centros de entrega estivessem lotados de funcionários durante a tarde da véspera de Ano Novo, para permitir que companhias aéreas recebessem os novos jatos.

A Boeing, apesar de não poder brigar com a Airbus por conta do baixo número de entregas no ano, também buscou nos últimos dias do ano bater ao menos metas pontuais, e isso gerou a inusitada situação dos voos dos 7 Boeings 787-9 da Qatar Airways.

Para atingir as metas dos Dreamliners no ano, a fabricante norte-americana enviou as aeronaves até o Catar para contabilizar as entregas, porém a companhia aérea devolveu imediatamente os jatos aos Estados Unidos, pois ainda havia a necessidade de uma atualização dos interiores.

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Murilo Basseto

Formado em Engenharia, foi um dos líderes do Urubus Aerodesign da Unicamp e um dos responsáveis por alçar o grupo à elite mundial da engenharia aeronáutica universitária. Atualmente é Editor-Chefe do AEROIN.