Após cortar o Embraer KC-390, FAB diz que pode dobrar a frota de caças Gripen

Ajustes no orçamento fizeram a Força Aérea Brasileira “cortar na carne” recentemente, e reduzir a quantidade de jatos de transporte Embraer KC-390. Ainda assim, a Força falou hoje sobre quase dobrar a frota de caças.

Fotomontagem: AEROIN / Sgt. Bianca – FAB

Em entrevista ao Jornal Valor Econômico, o Comandante da Aeronáutica, Carlos Baptista Júnior, confirmou que, devido a restrições orçamentárias, está renegociando uma redução de 50% na quantidade de aviões KC-390 (C-390 Millenium) a serem entregues.

O KC-390 é o maior avião já feito no Brasil e foi desenvolvido pela Embraer a pedido da FAB. O avião atrasou para ter a primeira unidade entregue, exatamente por atrasos de repasses do governo para a fabricante, ainda em meados de 2014 e 2015.

“Não só pela pandemia, também pela situação econômica do país nos últimos anos, estamos vendo que nossa capacidade de pagamento não atingirá os compromissos. Nosso cronograma de desembolso atual não está adequado aos recursos que temos recebido nos últimos cinco anos”, afirma o Brigadeiro.

Ainda segundo o comandante, a encomenda original de 28 aviões poderia ser reduzida em 25% apenas por decisão da FAB, sem precisar de um pré-acordo com a Embraer. Percentuais além desses precisam ser negociados em comum acordo, haja vista o montante financeiro envolvido no projeto.

A expectativa é que o número de aviões vá de 28 para algo entre 13 e 16 aeronaves, não muito distante da quantidade de aviões Lockheed Martin C-130 Hércules que a FAB operava simultaneamente antes da chegada do KC-390 e nos períodos de maior disponibilidade do “Gordo”, apelido do C-130 no Brasil.

Mais Grifos?

Enquanto as reduções ocorrem no braço de carga da FAB, a divisão de caça pode ter um pedido atendido: mais caças SAAB Gripen NG. O primeiro avião já está no Brasil voando, fazendo testes e homologações. O contrato com a SAAB prevê 36 jatos, sendo uma boa parte montados no Brasil, em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo.

No entanto, desde o início do Projeto FX-2, que levou 20 anos e três presidentes para ser decidido, questionava-se a baixa quantidade, já que é praticamente a metade de caças Northrop F-5E Tiger II que a FAB possui e que já estão com 45 anos de idade.

Além destes, a Força tem o AMX, caça de ataque ao solo, que também deve ter suas funções cobertas pelos Gripen.

“Compramos o primeiro lote, mas a nossa expectativa é que seja algo em torno de 60 a 70 aeronaves. Em breve, estará na hora de começarmos a falar de um segundo lote”, afirmou o Brigadeiro.

Ainda segundo ele, a FAB tem, esse ano, apenas 50% dos recursos do financiamento dos dois projetos principais, o KC-390 e o Gripen. A falta de recursos também reflete em outras forças: na Marinha a situação é similar com o Programa de Submarinos e no Exército, com o lançador de foguetes ASTROS 2020.

Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A

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