Associação pede isenção de testagem de Covid-19 a tripulantes de aeronaves

Imagem: Lufthansa

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) e a Federação Internacional de Associações de Pilotos de Linhas Aéreas (IFALPA) fizeram uma solicitação conjunta aos governos nacionais para isentar as tripulações da testagem contra COVID-19 aplicada aos passageiros. O pedido atende às diretrizes da Força Tarefa de Recuperação de Aviação do Conselho (CART) da Organização de Aviação Civil Internacional (ICAO), da qual os países são membros.

100.000 Pilotos

A IFALPA representa mais de 100.000 pilotos em quase 100 países ao redor do mundo.As diretrizes da CART recomendam especificamente que os membros da tripulação não sejam sujeitos a triagem ou restrições aplicáveis ​​a outros viajantes. Além disso, de acordo com a CART, os métodos de triagem de saúde para tripulantes devem o ”menos invasivo possível”.

Apesar dessa orientação, cada vez mais países está aplicando as mesmas medidas de saúde pública para a tripulação que são aplicadas ao público em geral. Essas medidas incluem fornecer o resultado de um teste COVID negativo antes da partida e, em alguns casos, um segundo teste COVID negativo é necessário na chegada. Além disso, vários reguladores da aviação civil só permitem que membros da tripulação com certificado de teste de PCR COVID-19 negativo façam escala em seus respectivos países.

O vice-presidente sênior de Operações de Segurança e Voo da IATA, Gilberto Lopez Meyer, defende que os aeronautas podem ter regras distintas pelo perfil de interação dos profissionais com a população nos países em que pousam. “Essas medidas não apenas violam a orientação global recomendada pela ICAO, mas também não levam em consideração o fato de que as interações com a população local são minimizadas”, disse o executivo em nota.

Tripulação em escala

Lopes Meyer lembra que uma tripulação em escala geralmente fica restrita ao hotel. Essas medidas também ignoram o fato de que as companhias aéreas já cumprem os requisitos dos programas de proteção e monitoramento da saúde de seus países de origem para gerenciar a saúde da tripulação, o que normalmente inclui medidas para reduzir o risco de infecção.

Já o comandante Jack Netskar, presidente da IFALPA, ressalta que procedimentos como esse estressam a tripulação e podem até comprometer a segurança do voo. “As medidas adotadas por alguns Estados não só violam as orientações recomendadas, mas também colocam estresse e pressão indevidos sobre as tripulações”, declara o piloto. “A orientação fornecida pela CART foi cuidadosamente desenvolvida para garantir que as operações possam continuar sem comprometer a segurança das tripulações e dos passageiros”, completa.

Além da intrusão e desconforto físico do teste COVID-19 diário, há considerações de custo significativas. Uma companhia aérea global estimou que o custo do cumprimento de tais requisitos para um único voo diário totalizaria US$ 950.000 adicionais por ano. “As companhias aéreas estão dispostas a investir em segurança que forneça resultados significativos, mas esse não é o caso com requisitos de teste unilaterais e não coordenados” informa Lopez Meyer. “Os estados devem reconhecer que a tripulação apresenta um perfil de risco diferente do dos passageiros e que mais flexibilidade e relaxamento dos requisitos de teste e quarentena podem ser considerados, incluindo isenções”.

Informações da IATA

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Fabio Farias
Jornalista e curioso por natureza. Passou um terço da vida entre aeroportos e aviões. Segue a aviação e é seguido por ela.

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