Início Controle de Espaço Aéreo Associações e empresas aéreas do Brasil reúnem-se presencialmente com o DECEA

Associações e empresas aéreas do Brasil reúnem-se presencialmente com o DECEA

Desde que começou a pandemia, por volta de fevereiro de 2020, foi a primeira vez em que o encontro foi presencial e reuniu a comunidade aeronáutica.

Imagem: DECEA / Fábio Maciel

Na última sexta-feira, 17, o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), por meio do Subdepartamento de Operações (SDOP), e o Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea (CGNA) realizaram uma Reunião Operacional com Diretores de Operações e Gerentes dos Centros de Controle de Operações (CCO) das empresas aéreas.

Participaram as companhias aéreas Azul, Gol, Latam e Itapemirim, além da Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA) e da Associação Brasileira de Aviação Geral (ABAG).

O evento teve início com as palavras do Chefe do Subdepartamento de Operações do DECEA, Brigadeiro do Ar Eduardo Miguel Soares, que agradeceu a presença dos convidados e falou sobre a missão do DECEA. “Somos prestadores do serviço de navegação aérea, temos que nos esforçar para oferecer o melhor, não abrimos mão da segurança, trabalhamos diuturnamente por isso”.

Desde que assumiu o SDOP em fevereiro, o Brigadeiro Miguel tinha a intenção de propor o evento, o que não foi possível por causa da pandemia.

O Chefe do SDOP falou sobre a finalidade do encontro, de aproximar os profissionais das empresas aéreas com o DECEA e o CGNA para tratar assuntos relativos à navegação aérea. “O Julio (da IATA) falar comigo já me conhecendo é muito mais simples do que falar com um chefe do SDOP que ele nunca viu”, ponderou.

Imagem: DECEA / Fábio Maciel
Imagem: DECEA / Fábio Maciel

Na sequência, o Chefe da Divisão de Planejamento do SDOP, Tenente-Coronel Aviador Luiz Eduardo de França Scovino, apresentou projetos relacionados às companhias aéreas com ênfase no Plano de Implementação ATM Nacional (PCA 351-3), o Programa SIRIUS e seus empreendimentos.

Destaque para dois projetos que recentemente entraram em operação. O primeiro, o TMA-SP Neo, projeto de Reestruturação da Área de Controle da Terminal (TMA) São Paulo, que em maio estreou no Brasil a operação do Point Merge. E, ainda, o Projeto LANDELL: Comunicação entre Controladores de Tráfego Aéreo e Pilotos por Enlace de Dados (CPDLC) no espaço aéreo continental, oficialmente ativado em setembro nas FIR Amazônica e Recife.

Ainda na apresentação do SDOP, o chefe da Seção de Normas de Meteorologia Aeronáutica, Tenente-Coronel Especialista em Meteorologia Fernando de Abreu Pinto, destacou os projetos da área.

A seguir, o Diretor do Instituto de Cartografia Aeronáutica (ICA), Coronel Engenheiro Alessander de Andrade Santoro, falou sobre a importância dos produtos cartográficos para a aviação e dividiu com a audiência algumas áreas de atuação do Instituto: Cartografia Aeronáutica, Informações Aeronáuticas, Elaboração de Procedimentos de Navegação Aérea e Concepção do Espaço Aéreo.

A última palestra foi do Chefe do CGNA, Coronel Aviador Marcelo Jorge Pessoa Cavalcante, que ressaltou: “esta reunião é um marco para interação com a comunidade aeronáutica de forma mais próxima”.

Ele destacou também que o CGNA tem o desafio de proporcionar um ambiente de recuperação para a retomada das operações aéreas com foco na eficiência. Com a queda abrupta do número de ofertas de voo por conta da COVID 19, o setor aéreo vem gradualmente tentando restabelecer sua malha aérea, que não voltou ao cenário anterior ao início da pandemia.

Mesmo assim, a estreante no mercado de aviação, Itapemirim Transportes Aéreos, registrou uma marca significativa em dois meses de operação: mil voos e 100 mil passageiros transportados. “Passamos por um período de distanciamento por causa da pandemia e pudemos rever e propor processos de melhoria para a retomada da demanda”, explicou o Diretor de Operações da Itapemirim, Charles Malak.

Além de agradecer a receptividade, Malak falou sobre a importância do encontro. “Com essa perspectiva e a oportunidade de participar de eventos presenciais poderemos desenvolver ações de forma colaborativa com o intuito de tornar a aviação mais segura e eficiente”, pontuou.

O Diretor do Centro de Controle Operacional e de Aeroportos da Azul Linhas Aéreas Brasileiras, Daniel Tkacz, também reconheceu a relevância desta proximidade com o CGNA e o DECEA para o crescimento da aviação. “Não adianta nenhum dos entes trabalhar sozinho, precisamos ajudar uns aos outros, acho importante estarmos em um ambiente colaborativo para que possamos adotar as melhores práticas e procedimentos, precisaremos disso no futuro com certeza”.

Veterano em encontros no CGNA, o Diretor do Centro de Controle de Operações Aéreas da LATAM, Samuel Di Pietro, destacou a diferença positiva nesta aproximação. “Contamos com o CGNA como um parceiro que nos ajuda a lidar com as adversidades do dia a dia da operação, principalmente nos momentos mais difíceis de contingência, como, por exemplo, de chuva forte em São Paulo. Sabemos que haverá pessoas cuidando da operação, com segurança e eficiência”, comentou.

As associações que representam a aviação geral e internacional também foram unânimes em reafirmar o quanto são proveitosas estas reuniões, como pode ser verificado nas palavras do Assessor Técnico de Controle de Espaço Aéreo para a Associação Brasileira de Aviação Geral (ABAG), Carlos Renato de Andrade Mattos.

“Agradeço ao DECEA pela aviação geral ter voz junto ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo. A aviação cresce, não só a regular como de outros setores. As dúvidas são sanadas, as requisições aceitas e temos a possibilidade de participar de um debate que nos proporcione um voo seguro, não só da aviação regular como geral, todas voando juntas no mesmo espaço aéreo”.

Por fim, o Diretor Assistente de Segurança e Operações de Voo da Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA), Julio Pereira, disse que o Brasil é uma referência mundial em termos de tomada de decisões colaborativas (CDM, do inglês Collaborative Decision Making).

“É uma tradição do DECEA fazer este tipo de encontro, que vem de outros grupos como o Projeto AGILE, de otimização da utilização de Aeroportos, e o GEPEA, Grupo de Estudos sobre Planejamento do Espaço Aéreo. Isso permite que possamos contribuir para que o Sistema caminhe na direção correta no sentido de atender os usuários, a aviação comercial, o passageiro e o país. A conectividade, a eficiência da aviação, a segurança operacional e a capacidade e aproveitamento da infraestrutura instalada faz toda a diferença neste tipo de encontro e em outras iniciativas CDM”, completou.

Julio Pereira fez a ressalva de que na América do Sul não há nada parecido em termos desta transparência e de permitir a contribuição em nível internacional. “Represento as companhias internacionais e elas podem ser ouvidas dentro do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB), então usamos o exemplo do DECEA como benchmarking para outros países fora do Brasil, na América Latina principalmente”.

Informações do DECEA

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