Aviação chinesa fica menor do que a de Portugal, com efeito devastador do coronavírus

O mercado de aviação da China, projetado para ultrapassar os EUA nesta década e se tornar o maior do mundo, encolheu tanto devido ao surto de coronavírus que caiu do terceiro para o 25º lugar, atrás de Portugal.

China
787-9 decola de Hong Kong – Foto: Jed Chang via Wikimedia Commons

A análise surpreendente foi revelada pela Bloomberg, com base em dados da OAG. Segundo ela, as companhias aéreas reduziram a capacidade por causa da epidemia centrada na província de Hubei, deixando a indústria cambaleando.

Cerca de 1,7 milhão de assentos – quase 80% da capacidade – foram retirados entre 20 de janeiro a 17 de fevereiro por transportadoras em todo o mundo. Enquanto isso, as companhias aéreas chinesas cortaram 10,4 milhões de assentos no mercado interno.

O gráfico abaixo demonstra os cortes de oferta de assentos no mercado internacional de doméstico chineses. A redução impressiona.

Fonte OAG

“Nenhum evento que lembramos teve um efeito tão devastador na oferta de assentos como o coronavírus”, escreveu John Grant, analista sênior da OAG, em um relatório. “Sob muitos aspectos, destaca-se a importância do mercado chinês para a aviação e a globalização dos serviços aéreos à medida que surgem novos mercados e viajantes”.

Muitas companhias aéreas suspenderam vôos para a China em um esforço para conter o vírus, que matou quase 1.900 pessoas no país e infectou mais de 72.000. O número total de assentos da China a Hong Kong e Taiwan caiu um quarto de milhão em cinco semanas, enquanto as três principais companhias aéreas do país reduziram a capacidade internacional entre 80% e 90%, segundo a OAG.

Após os cortes, a China Southern Airlines está operando apenas cerca de 800 assentos a mais em serviços internacionais do que a Air Astana do Cazaquistão, enquanto a China Eastern Airlines está logo à frente da Tunis Air, escreveu Grant. Ambas as operadoras chinesas reduziram a capacidade em mais de 200.000 assentos por semana por causa do vírus, segundo a OAG.

“Os danos a algumas companhias aéreas e o impacto a longo prazo em seu crescimento podem durar além do vírus”, disse Grant.

Carlos Roman
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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