Demanda por voos em jatinhos executivos explode com a crise do Coronavírus

A aviação global vê agora a sua pior crise da história, mas uma parte do setor está se beneficiando com a parada geral: a aviação executiva e os jatinhos particulares.

Gulfstream Cessna Citation Aviação Executiva
Gulfstream G600 e Cessna Citation © NetJets

Apesar de o avião ser provavelmente o meio de transporte mais seguro no que tange a chance de contágio do Coronavírus, devido aos seus filtros modernos e contínua renovação do ar, muitas pessoas estão com medo de viajar e os governos estão fechando as fronteiras para impedir que o vírus não espalhe, o que resultou numa queda da procura por viagens em torno de 70%.

Nenhum caso de transmissão a bordo de aeronave foi confirmado até agora, mas por ser um local fechado com até 600 pessoas confinadas (no caso dos Airbus A380 da Emirates), uma parte mais abastada do público tem optado por voos privados, exatamente para poder voar com menos contato com outras pessoas. Essas pessoas estão dispostas a pagar grandes fortunas por essa regalia.

Segundo o diretor de vendas da empresa suíça Luna Jets, Alain Leboursier, a empresa viu “um aumento incrível de reservas”. Segundo o executivo informou à CNN Travel, o aumento da demanda foi de 15% em fevereiro e neste mês foi de 30% até agora.

“Nós tivemos 200 pedidos no último domingo, destes 60 eram de regiões muito afetadas pelo Coronavírus. São tanto pessoas querendo escapar ou que tem negócios urgentes a serem feitos no dia seguinte”, afirma Alain.

Normalmente, os clientes desta modalidade são empresários ou executivos de alto nível em grandes empresas que normalmente só voam na Classe Executiva ou na Primeira Classe em voos regulares.

“Um cliente que tivemos queria trazer a filha dele de volta. Ela estuda numa universidade na França, porém a família é dos EUA, eles nos contrataram e também colocaram outros colegas americanos da filha dele no voo” afirma Adam Twidell, CEO da PrivateFly do Reino Unido.

Mas quanto custa este luxo?

Falcons 8X e 7X na LABACE em São Paulo – Aeroporto de Congonhas

Segundo a própria PrivateFly, um voo similar à que o pai pagou para a filha viajar da França para os EUA custa em média £62 mil libras esterlinas (R$365 mil) por trecho. Se houver a volta em até três dias o total de ida e volta fica na casa das £95 mil (R$560 mil).

Como muitas empresas nos dias de hoje não têm demanda para o voo de volta, elas oferecem as chamadas “empty legs”, que são voos mais em conta já que a empresa terá que trazer o avião de volta para a base de qualquer maneira.

Uma “empty leg” de Los Angeles para Paris está na “promoção” por €84 mil euros (R$ 457 mil) feita no Cessna Mustang. Está no Brasil? Pois bem, para voar de Fortaleza para Londres existe uma “empty leg” disponível para a próxima terça-feira, dia 24, por €200 mil euros (R$ 1 milhão e 90 mil reais) no trijato francês Dassault Falcon 7X.

Apesar do boom, setor não está otimista

Para Alain, apesar de muitas pessoas estarem felizes por conseguirem atingir seus objetivos através da aviação executiva, trata-se de algo apenas temporário e que pode ficar pior depois.

“Se tudo (na economia) decrescer 25% nos próximos meses, significa que nossos clientes terão que demitir algum pessoal, fechar algumas fábricas e experimentar uma queda na demanda dos produtos deles. Então, se o mercado vai para baixo, também vamos” afirma o executivo.

Para combater isso a empresa tem tentado fidelizar os novos clientes, para que eles continuem a voar com aviões executivos. A limpeza nas aeronaves foi intensificada utilizando “produtos recomendados por médicos”, além de a tripulação estar proibida de fazer pernoites em países com muitos casos do Coronavírus.

Conversamos com Phil Derner Jr, representante da costa-oeste da NBAA, que é a Associação Nacional da Aviação Executiva dos EUA. Segundo ele, a indústria emprega 1 milhão e 200 mil pessoas no país, que também tem sido afetada pelo vírus. A associação tem mantido conversar com congresso americano para manter estes empregos.

“Pequenas empresas de aviação executiva viram um grande aumento na demanda. Mas as empresas com mais de 100 aviões, sejam da executiva ou linhas aéreas, serão as mais afetadas, de qualquer maneira nenhuma empresa de aviação ficará imune” afirma Phil.

Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A

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