Avianca Colômbia teve prejuízo de $8 mi com crise da Oceanair

Em entrevista ao O Globo, o presidente interino da Avianca Holdings (Colômbia/Panamá) revelou os danos causados pela crise na empresa irmã brasileira e afirmou a suspensão do uso da marca no Brasil.

O brasileiro Renato Covelo é o presidente interino da empresa até a chegada de Anko Van der Werff, ex-KLM.

Renato afirmou que a empresa que é separada da Avianca Brasil (Oceanair) teve um prejuízo de $3 milhões de dólares pela recuperação judicial (a Holding é uma das credoras) mais $5.5 milhões para acomodar passageiros da brasileira, principalmente dos voos para Miami e Nova Iorque.

Os danos relacionados a imagem da marca Avianca ainda não foram mensurados, porém é certo que a marca não poderá ser utilizada por uma empresa brasileira mais, mesmo que isso esteja incluso no plano de Recuperação Judicial.

“Na segunda-feira, notificamos o juiz da recuperação judicial de que o contrato de concessão da marca está encerrado. Tinha uma regra do leilão que dizia que quem comprasse (os ativos) poderia usar a marca Avianca por mais 180 dias. Acreditamos que isso não vai acontecer. Se a Avianca Brasil quiser voltar a voar, não vai ser com a mesma marca. Terá que usar outra marca, porque esta é nossa.” disse Renato.

A situação entre as duas empresas irmãs mudou bastante desde o início da crise na Avianca Brasil em dezembro: os irmãos Efromovich perderam a cadeira de conselho na Holding e não tem poder decisório mais. Ao mesmo tempo eles sumiram do Brasil.

Apoio à proposta da Azul e futuro da Avianca no Brasil

E não são apenas os funcionários (e ex-funcionários) que apoiam a proposta da Azul, Renato também inclina mais a plano unificado ao invés da fatiação da empresa:

“Havia uma oportunidade de um leilão único, da Azul, que ia comprar uma operação inteira, com aviões, pessoal e slots . O que estão vendendo agora são unidades produtivas isoladas, que não estão produzindo nada. A Azul ia levar a concessão, funcionários, aviões, tudo. Do jeito que foi feito, agora há uma disputa, mas não há um pacote completo, como era com o outro plano. É preciso ver qual vai ser o interesse dos competidores no leilão do dia 10 de julho” declarou o presidente.

Ainda existe um risco claro de que o leilão remarcado para o dia 10 de julho seja nulo: a regra de slots é clara, a empresa perde se não utilizar. Com as operações paralisadas, a Avianca Brasil pela regra “regular” deveria perder todos os slots. Mas a ANAC que já tinha autorizado o leilão dos slots contrariando regra própria, pode favorecer o leilão.

Sobre o plano de expansão no Brasil e rumores sobre um investimento para uma nova aérea no país, Renato foi infático:

“Estamos buscando entrar (com voos internacionais) em uma cidade no Centro-Oeste e outra no Nordeste. Mas entrar no mercado doméstico do Brasil não está no nosso plano agora. O Brasil é um país difícil de operar, com custos de combustível e impostos altos. Os custos operacionais dos aeroportos brasileiros são altíssimos. “

Com informações do O Globo

Carlos Martins

Despertou a paixão pela aviação em 1999 em um show da Esquadrilha da Fumaça. Atualmente é Piloto Comercial, Despachante, Bacharel em Ciências Aeronáuticas, membro da AOPA e veterano da Western Michigan University #GoBroncos