“A Avianca não irá morrer nas minhas mãos”, afirma novo CEO

Em entrevista, o novo presidente e CEO da Avianca Holdings, o holândes ex-KLM, Anko van der Werff, afirmou que a empresa não irá morrer nas suas mãos.

Anko van der Werff no centro de treinamento da Avianca em Bogotá
Anko van der Werff no centro de treinamento da Avianca em Bogotá © Mauricio Moreno / EL TIEMPO

Passando por uma das piores crises em 100 anos de sua história, a Avianca Holdings da Colômbia acumula dívidas, atrasa pagamentos a fornecedores e teve seu principal controlador, Germán Efromovich, expulso do conselho administrativo. Anko foi contratado com a missão de reerguer a companhia mais uma vez e afirma que a empresa está renegociando as suas dívidas, resguardando um prazo de mais três anos para pagamento.

Outros pontos do plano de renovação são o cancelamento de rotas menos rentáveis e a venda de uma parte dos aviões, mas ele afirma que a frota continuará robusta, com mais de 100 aeronaves.

Quando questionado pelo jornal colombiano El Tiempo sobre o que aconteceu para que a companhia, que crescia tanto, chegasse a ficar no vermelho, Anko afirmou que acredita ter sido resultado de um superdimensionamento e que a empresa “deu um passo maior do que a perna”.

Panorama da Frota

Boeing 787-8 Dreamliner da Avianca em Bogotá
Boeing 787-8 Dreamliner da Avianca em Bogotá

Anko deu um grande panorama sobre a frota da empresa: “atualmente toda a Holding possui 180 aviões de passageiros e cargas. Destes, 168 estão voando, enquanto o restante (12) são aeronaves próprias que estão à venda. Por outro lado, dos 168, 53 foram adquiridos na forma de leasing operacional e 115 de leasing financeiro”.

Até o final do ano, quando a empresa pretende fechar com 156 aviões na frota, o que significa um total de 24 devoluções. Dentre os aviões vendidos estão os Airbus A318, e entre os devolvidos, os Embraer E190, além de alguns Cessna 208 e ATR 42.

Porém o CEO disse que ainda não é o suficiente. A redução da frota de longo curso também é algo a se fazer: “temos 13 Boeing 787, vamos revisar quantos necessitamos”, afirmou Anko. A Avianca encomendou o modelo 787-9 Dreamliner, que está pronto na fábrica da Boeing, mas não deve recebê-lo.

Avianca quebrada?

Quando questionado sobre a polêmica frase de Roberto Kriete, CEO que está passando o bastão para ele, de que a empresa está quebrada, Anko foi direto: “Foi uma frase muito infeliz. Infeliz e complicada. Porém também creio que se referia à situação difícil da companhia e os esforços que estamos fazendo para seguir adiante. A intenção dele era transmitir o sentido de urgência”. A dívida hoje da Avianca Holdings é de $5 bilhões de dólares, incluindo dívidas de leasing.

Para finalizar, o jornal El Tiempo perguntou se a Avianca iria morrer nas mãos de Anko, que respondeu com convicção: “não”.

Com informações do El Tiempo.

Carlos Martins

Despertou a paixão pela aviação em 1999 em um show da Esquadrilha da Fumaça. Atualmente é Piloto Comercial, Despachante, Bacharel em Ciências Aeronáuticas, membro da AOPA e veterano da Western Michigan University #GoBroncos