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Avianca paga milhões em bônus a executivos, enquanto pede dinheiro do governo

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A Avianca Holding, da Colômbia, está atrás de muita liquidez, estrutura um financiamento de US$ 2 bilhões junto à Corte de Falências de Nova Iorque e coloca funcionários em licença não-remunerada para cortar gastos num momento em que a frota está parada e a demanda está nos menores patamares de sua história. No entanto, o pagamento dos bônus aos executivos é o que ressaltou nas manchetes dessa semana no mundo todo.

Segundo a Reuters e outras mídias internacionais, uma polêmica tem tomado conta do noticiário colombiano. Tudo porque um relatório da Investigative Journalism Agency (API) afirma que, enquanto a companhia aérea estava entrando com pedido de recuperação judicial conforme o Capítulo 11 da Lei de Falências dos EUA, os executivos-sêniores da empresa recebiam um total de US$ 7,2 milhões em bônus, dos quais US$ 3,7 milhões foram destinados ao CEO Anko van der Werff e US$ 2,7 milhões ao CFO Adrian Neuhauser, entre outros.

Tal fato causou irritação em alas da sociedade e do governo colombiano, já que a empresa pede e diz contar com uma ajuda de US$ 370 milhões do governo para sobreviver, ao passo que cerca de 12.000 funcionários locais tiveram salários cortados (ou estão em licença não-remunerada) sob a argumentação de que isso serviria para garantir a sobrevivência da empresa. O empréstimo estatal, no entanto, está em disputa judicial, já que a corte de Cundinamarca (província onde está Bogotá), determinou uma melhor análise antes de concluir a liberação do recurso público.

Existe também uma grande reclamação do governo sobre a mudança de praça da Avianca, que registrou uma empresa no Panamá e vem operando a partir dela, alegadamente com a justificativa de não pagar impostos na Colômbia.

Dois lados da moeda

Do alto dos seus 100 anos, a Avianca disse em comunicado que os bônus eram parte de uma deliberação de 2019 do conselho de administração e fazem parte das “boas práticas” do mercado.

Um caso semelhante causou revolta recentemente no Reino Unido quando o ex-chefe do IAG Group (dono de British Airways, Iberia, Aer Lingus), Willie Walsh se despediu da empresa com um bônus milionário, enquanto as empresas do grupo rastejam para sobreviver.

Por outro lado, há empresas que pensam diferente. Em uma demonstração de solidariedade com sua equipe, executivos sêniores da Austrian Airlines, subsidiária da Lufthansa, recusaram seus bônus, depois que o grupo recebeu um resgate. O mesmo aconteceu em muitas companhias asiáticas, exemplo de serviços e de ética, como a Singapore Airlines e a Cathay Pacific, onde os executivos abriram mão de seus bônus, ou mesmo da Qantas, onde o CEO Alan Joyce cortou sua remuneração anual em 83% e não receberá salário até o fim do ano.

É um tema polêmico.

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