Avianca renegocia com Airbus e planeja joint-venture com a Lufthansa

Em meio a uma semana bastante agitada na Avianca, seja na parte colombiana seja na brasileira, o grupo Synergy que controla todas as empresas sob a marca Avianca vai à Europa para negócios importantes.




Durante um evento que celebra os 99 anos da Avianca e em que foi anunciada a marca da empresa para o seu centenário, o CEO da Avianca Holdings (que controla todas as aéreas com exceção da matriz brasileira e sua filial argentina) Hernán Rincón, falou sobre redução de encomendas e parceria com a alemã Lufthansa.

Em entrevista à Reuters, Hernán disse que representantes da Avianca irão viajar para a França nos próximos dias para renegociação com a Airbus: “Dos 100 A320neo encomendados, nós provavelmente receberemos apenas 50 a 80 aeronaves. Não temos dúvida que continuaremos a crescer, mas o que mudou foi o ritmo deste crescimento”.

“O ritmo da tecnologia está mudando, irá demorar um pouco para recebermos todas as encomendas e não queremos um compromisso para aviões com a tecnologia de hoje que só receberemos daqui 10 ou 15 anos”, declarou o CEO.




Uma redução no pedido original, que está avaliado em $10 bilhões de dólares baseado em valores de tabela, também dará uma alívio financeiro para a Avianca segundo Hernán. Vale lembrar que apesar de serem independentes, a Avianca Brasil e a Avianca Holdings constam como uma só cliente para a Airbus, ou seja, as encomendas estão somadas e a divisão das entregas são decididas pelo Synergy Group.

Apesar da grande expansão em todas as filiais, a empresa teve um ano difícil em que passou por três crises: a primeira, uma greve dos pilotos na Colômbia, que resultou na paralisação por quase um mês de praticamente 40% das operações no país e que também levou ao empréstimo de pilotos por parte da Avianca Brasil.

A segunda foi causada pela paralisia dos 787 Dreamliners com problemas nos motores Rolls-Royce, sendo necessário contratar aeronaves por wet-leasing para cumprir algumas rotas, adquirir Airbus A330-300, além de repassar a operação da ponte Bogotá-São Paulo para a divisão brasileira.

Por último e não menos importante, a greve dos caminhoneiros no Brasil, que fez ser necessária uma grande ação de tankering (quando o avião leva mais combustível que o necessário por não contar com abastecimento no aeroporto de destino) que resulta em maior consumo de querosene, encarecendo os custos na greve devido a pouca oferta e alta demanda.

Joint-Ventures

A parte positiva tem sido finalmente a assinatura do acordo envolvendo a Avianca Holdings, a United Airlines e a Copa Airlines. O acordo demorou praticamente dois anos para ser concluído e agora vai para ratificação das autoridades dos países envolvidos.

Este acordo, segundo Hernán, deve incluir o Brasil num futuro próximo, em uma parceria da Azul e da Avianca Brasil. Apesar de atualmente as companhias negarem a inclusão da divisão brasileira, a Reuters divulgou que o empréstimo de $456 milhões de dólares da United Airlines não seria para a Avianca Holdings, e sim para o Synergy Group.

O Synergy Group é acionista majoritário (60%) da Avianca Holdings, e único dono da Avianca Brasil, DIGEX e Synerjet. Este dinheiro poderá ir para a Avianca Brasil que enfrenta problemas de pagamento a fornecedores.




Outra joint-venture seria com a alemã Lufthansa, que assim como a United fundou a Star Alliance em 1997 e é uma das maiores aéreas do mundo, dona da Swiss, Austrian, Air Dolomiti, Brussels, Eurowings e Edelweiss.

Hernán Rincon durante evento de celebração do início do centenário da Avianca

“Nós começamos a conversar com a Lufthansa, mas é algo muito prematuro. Nós esperamos fechar um acordo que iria beneficiar nossos passageiros na Europa, que é um mercado relevante e crescente”, declarou Hernán.

O CEO destacou durante o evento a parceria alemã-colombiana que já vem desde a fundação da SCADTA (Sociedad Colombo Alemana de Transportes Aéreos) em 1919, que mais tarde se tornaria a Avianca, atualmente a segunda aérea mais antiga do mundo, atrás apenas da KLM.

“A história começa em 15 de dezembro de 1919, também com uma aliança (em referência à Star Alliance). Com uma cooperação entre alemães e colombianos, visionários, heróis ousados, que começaram a cruzar o céu sob o nome da SCADTA”, declarou Hernán.

Concorrência latina

O movimento da Avianca para unir-se de vez com a United e Lufthansa é uma resposta clara à joint-venture já firmada entre American e LATAM (atualmente com aprovação pendente pelo Departamento de Transporte dos EUA), e conversas entre a aérea latina e a IAG, grupo formado pela British Airways e Iberia.

A possível joint-venture com o grupo europeu possui um entrave: o Brasil optou por não fechar um acordo de céus abertos com a União Europeia após o bloco não permitir  que aéreas brasileiras fizessem e comercializassem voos da Europa para outros países sem ser o próprio Brasil.

Com informações da Reuters




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