Avião Airbus A380 da Hi Fly faz um voo cargueiro pela primeira vez

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Hi Fly A380 Not Too Late For Coral Reefs
Imagem: Hi Fly

Em julho, falávamos sobre a adaptação de um Airbus A380 da empresa aérea portuguesa Hi Fly para levar exclusivamente carga, mas desde então o avião esteve parado em sua base na cidade de Beja, sem ter realizado novos voos comerciais. Mas isso mudou nessa semana, quando o avião foi “recrutado” para uma operação na Malásia.

Segundo dados do FlightRadar24, o quadrijato decolou de Beja na quinta-feira (24) e fez uma parada em Istambul antes de seguir em voo direto rumo a Kuala Lumpur, na Malásia. A carga ou o motivo da missão não foi revelado. O uso de aviões de passageiros adaptados para carga está sendo conhecido no meio aeronáutico pelo jargão “preighter”.

Imagem do FlightRadar24

É importante destacar que não se trata de um avião cargueiro puro, mas sim de uma adaptação. Porém, trata-se da primeira dessa natureza de que se tem notícia no mundo. Outro A380, da Malaysia Airlines, chegou a ser empregado no transporte de cargas médicas no auge da pandemia, mas ele não foi adaptado, ao contrário, todos os assentos foram mantidos. Além disso, foram apenas um punhado de operações pontuais.

No caso da companhia portuguesa, especializada em aluguel de aviões, o equipamento foi adaptado removendo-se todos os assentos e fazendo pequenas adequações internas para a acomodação e fixação de cargas. Com isso, criou-se um espaço de 300 metros cúbicos disponíveis para levar caixas e outros objetos, com um peso máximo de 60 toneladas de cargas, um grande avanço em relação aos 175 metros cúbicos disponíveis nos porões, permitindo maior rentabilidade no uso da aeronave ao levar apenas cargas.

Cenas da escala do avião em Istambul, incluindo uma filmagem do pouso, foram compartilhadas pelo perfil @meraklihavaci no Twitter.

No vídeo, que segue abaixo, note que não se trata de uma projeto de engenharia que transforma o superjumbo em um cargueiro puro. Isso exigiria modificação nas estruturas da aeronave e uma certificação muito mais complexa e demorada. Trata-se, no entanto, da da remoção dos assentos, da demarcação do piso para uma organização quanto à posição da carga a ser colocada em cada ponto, e a preparação de pontos para a fixação de cordas e redes que prendem as cargas.

Apesar do aumento de capacidade, ainda não é possível competir como os cargueiros puros. A título de comparação, as especificações do 747-8F, o maior cargueiro da Boeing, mostram que ele tem capacidade máxima de 137,7 toneladas em 858 metros cúbicos. E o próprio projeto da Airbus para um A380 cargueiro, que não chegou a ser produzido, levaria 150 toneladas.

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Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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