Avião Boeing 747 aposentado será usado para testes de novos motores revolucionários

Quando os aviões se aposentam, eles se transformam em tudo, desde hotéis instalações de arte subaquática. Nessa semana que passou, mais um Boeing 747 ganhou um novo futuro, talvez menos fascinante, mas muito mais emocionante. 

Após 20 anos voando com a pintura da Qantas, ele foi recrutado pelas operações aeroespaciais da Rolls-Royce para começar uma nova vida como plataforma de teste para motores futuristas. O voo comercial final da aeronave foi na rota Sydney para Los Angeles, como mostramos aqui, mas agora ele estará baseado nos arredores de Seattle, em um centro de tecnologia de voo. 

N787RR
O N787RR é o outro Boeing 747 de testes da Rolls-Royce

Por ali, o Boeing 747 será transformado em um laboratório, num processo de cerca de US$ 70 milhões e com duração de dois anos, antes de ajudar a lançar a próxima geração de motores a jato da Rolls-Royce. Como uma plataforma de teste voadora, o avião testará motores velocidades super altas e em grandes altitudes, operados por uma equipe de pilotos especializados. A aeronave unirá forças com o banco de ensaios de voo existente da Rolls-Royce, que já possui outro Boeing 747 com 285 voos de teste até agora.

Vida nova para um guerreiro

Uma imagem renderizada de como a aeronave será quando modificada mostra o Boeing 747 testando o próximo motor UltraFan, que a RR aposta como um produto que “redefinirá o mundo dos motores a jato”. O motor parece bem grande comparado às unidades de potência padrão da aeronave.

É um motor realmente grande, com cerca de 140 polegadas (~3,5 metros), em comparação com o motor XWB (que equipa o A350) com diâmetro de 118 polegadas (~3 metros). Também é a aposta da RR para as aeronaves das próximas duas décadas, para tanto, centenas de pessoas estão trabalhando no projeto.

Boeing 747-400 carregando o UltraFan da RR

Como plataforma de teste, o avião também será equipado com instrumentação e sistemas, permitindo a medição do desempenho do motor enquanto estiver no ar.”Este laboratório aéreo permitirá o desenvolvimento e a certificação de novas tecnologias de motores altamente avançadas, projetadas para aumentar a eficiência e minimizar os impactos ambientais”, disse Lee Human, presidente e fundador da AeroTEC, a empresa que vai trabalhar na preparação da aeronave.

Outra imagem dá uma ideia de mais aplicações para o 747

Troca de chaves

Na terça-feira da semana passada, aconteceu a simbólica entrega das chaves da aeronave, em uma cerimônia em Moses Lake/WA. Nela, o comandante master da Qantas Robert Nelson entregou as chaves cerimoniais da aeronave ao seu novo proprietário. O evento foi largamente divulgado nas redes sociais.

Curiosamente, o Boeing 747 foi entregue de volta ao estado em que se originou, Washington, nos Estados Unidos da América, onde fica a fábrica da Boeing. O avião partiu de Los Angeles Internacional às 10h13 da manhã em uma decolagem muito fácil para seu poderio, já que estava com apenas um pouco mais da metade do seu peso máximo de decolagem.

Depois de decolar em direção ao oeste, a aeronave rapidamente curvou para o norte. Em seguida, continuou a subir a uma altitude de 34.000 pés (~11 mil metros) para sua jornada final, ainda usando as cores da Qantas. Atingiu sua altitude de cruzeiro ao redor de Bakersfield.

747

O QF6021 começou sua descida final acima do norte do estado de Oregon. Às 12h13, de acordo com dados do FlightRadar24.com, a aeronave fez um suave pousou em Moses Lake, marcando o fim de uma era a serviço da porta-bandeira australiana.

A cerimônia

Obviamente, qualquer entrega importante de aeronave exige uma cerimônia. Presentes no evento, representantes da Qantas e Rolls Royce, além da AeroTEC. Eles estavam, obviamente, acompanhados por alguns convidados. Os discursos foram feitos por representantes de todas as principais partes e houve também uma oportunidade de foto, quando as chaves cerimoniais da aeronave foram entregues. 

747

Chris Snook, gerente executivo de engenharia da Qantas disse: “A VH-OJU (matrícula da aeronave) veste orgulhosamente o canguru voador há mais de 20 anos e estamos muito satisfeitos por ela ter uma vida longa pela frente, ajudando a testar e apoiar o desenvolvimento da próxima geração de motores de aeronaves.”

O Boeing 747 passará agora cerca de dois anos aos cuidados do AeroTEC. A empresa retirará a atual configuração de passageiros da aeronave. Em vez disso, a aeronave será convertida em um laboratório voador capaz de testar motores de aeronaves comerciais e comerciais.

Carlos Ferreira

É profissional de marketing e pesquisador de temas relacionados à aviação há quase duas décadas. Leva a câmera fotográfica para onde vai e faz mais fotos de aviões do que dos passeios. Responsável pela linha editorial da revista eletrônica AEROIN.net.