Avião comercial danificado voa desde o RS até SP a baixa altitude

Mais uma aeronave chamou atenção nesta semana ao fazer um longo voo a baixa altura, desde o estado do Rio Grande do Sul até o de São Paulo, em um deslocamento técnico devido a danos na fuselagem.

Como vimos na sexta-feira da semana passada, dia 6 de agosto, o Embraer E195-E2 registrado sob a matrícula PR-PJN envolveu-se em um incidente no pouso, quando, por motivos ainda a serem definidos, fez contato da parte inferior de sua cauda com a pista.

Segundo relatório do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), na ocorrência classificada como “Incidente Grave” de tipo “Contato Anormal com a Pista” o jato da Azul Linhas Aéreas voava de Campinas (SP) a Caxias do Sul (RS), com 135 passageiros e 5 tripulantes, quando teve o chamado “Tail Strike” ao chegar ao destino.

O Tail Strike acontece quando o ângulo de elevação do nariz aumenta demais ao ponto de a cauda chegar a encostar no solo, seja em uma decolagem, em um pouso ou em uma arremetida.

Apesar do incidente, o CENIPA descreve que os danos foram leves, que os pilotos taxiaram normalmente até a área de estacionamento e que os passageiros foram desembarcados sem intercorrências.

Cauda do PR-PJN danificada após o contato com a pista

Desde então, o E195-E2 permanecia em solo no aeroporto gaúcho, enquanto a equipe técnica da Azul tomava as providências necessárias para avaliação e liberação da aeronave para um voo seguro de translado até o hangar de manutenção da companhia, no Aeroporto de Viracopos, em Campinas.

Após uma semana, na sexta-feira seguinte, dia 13, o PR-PJN finalmente partiu às 09h07 para o deslocamento, porém, como é comum em situações como esta, todo o voo ocorreu sem subir até a altitude padrão de voo, geralmente por volta dos 40 mil pés de altitude (cerca de 12.190 metros) nesta rota.

Desde a partida de Caxias até a aproximação para Campinas, o jato não ultrapassou os 9 mil pés de altitude (cerca de 2.740 metros) enquanto cruzava os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo.

O E195-E2 fazendo o voo até a Campinas – Imagem: RadarBox

Esse comportamento ocorreu porque nesta altitude o voo todo pode ser feito sem a pressurização da fuselagem, evitando assim que a carga de pressão possa sobrecarregar a estrutura da região danificada e eventualmente levar a uma piora do problema.

Com a velocidade também reduzida devido à condição especial de translado, o voo durou cerca de 1 hora e 40 minutos, ao invés do tempo padrão de cerca de 1 hora e 15 minutos, pousando em Viracopos às 10h45.

O jato agora deve ficar fora de operação por um certo período, possivelmente de algumas semanas, enquanto uma avaliação detalhada e os devidos reparos são executados pela equipe técnica de manutenção da companhia.

De forma semelhante, um Airbus A330-200 também da Azul efetuou na semana passada um voo a baixa altura cruzando boa parte do Brasil após ter sido danificado por um veículo de solo no Aeroporto de Manaus. Relembre o caso clicando aqui ou no título logo abaixo:

Murilo Bassetohttp://www.aeroin.net
Formado em Engenharia Mecânica e Pós-Graduando em Engenharia de Manutenção Aeronáutica, possui mais de 6 anos de experiência na área controle técnico de manutenção aeronáutica.

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