Veja o que levou este avião Jumbo a atingir tratores durante grave ocorrência no pouso

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A autoridade de aviação da Nigéria (NAIB) divulgou nesta terça-feira, 3 de novembro, as conclusões de seu comitê de investigação sobre uma grave ocorrência envolvendo um Jumbo Boeing 747 que atingiu tratores durante seu pouso.

Colisão Boeing 747-200 Tratores Abuja
Imagem: AvHerald

Como tudo aconteceu

O caso aconteceu em 4 de dezembro de 2013, e a aeronave envolvida foi o Boeing 747-200 cargueiro registrado sob a matrícula EK-74798, da Veteran Airlines, realizando o voo de número SV-6814 em nome da Saudi Arabian Airlines.

O Jumbo partiu de Jeddah, na Arábia Saudita, para Abuja, na Nigéria, pousando na pista 04 do destino por volta das 22h19 do horário local. Apesar de tudo ter corrido bem até estar em solo, durante o pouso o jato ultrapassou a cabeceira da pista, que estava deslocada (ou seja, estava antes do final real) por conta de obras de manutenção.

O Boeing 747 colidiu com uma série de tratores, incluindo uma retroescavadeira, e parou com todas as rodas no gramado, fora da área pavimentada. A aeronave recebeu danos substanciais na asa direita e em seus motores #3 e #4, bem como danos ainda mais sérios na asa esquerda e seus motores #1 e #2, especialmente no motor #2 (esquerdo interno), que acabou arrancado de sua fixação.

Colisão Boeing 747-200 Tratores Abuja
Imagem: NAIB

Informações da investigação

As informações obtidas durante a investigação revelaram que durante a rolagem de pouso, conforme o Jumbo se aproximava da cabeceira deslocada ainda em velocidade, a torre orientou os pilotos através da chamada “Hold-short, Hold-short”, dada quando um avião não deve continuar seu deslocamento além de um ponto específico.

Com a orientação recebida, o piloto virou a aeronave à direita em direção à saída A3 para evitar a cabeceira deslocada, porém, devido à velocidade, o 747 desviou-se para a esquerda da saída e atingiu os equipamentos de construção estacionados no gramado. Os seis tripulantes evacuaram a aeronave ilesos.

Posição final da aeronave – Imagem: NAIB

A equipe de investigação avaliou quais as causas mais prováveis que poderiam ter levado os pilotos a não terem parado a aeronave em uma distância mais curta, em decorrência do menor comprimento de pista disponível para seu pouso.

As conclusões foram as seguintes:

1. Falta de informação por parte do despachante da Saudia durante o pré-voo: o responsável por verificar as condições do aeroporto de destino e informá-las aos pilotos do voo não estava presente no aeroporto de partida. Os tripulantes do voo pegaram as informações com o despacho de outra empresa aérea, que não operava no destino, o que os levou a não estarem cientes da condição de pista no pouso.

2. O status da pista estava ausente nas informações do ATIS de Abuja: as informações do aeródromo, fornecida automaticamente via frequência de rádio, não citavam a presença de obras, máquinas e cabeceira deslocada na pista de pouso.

3. Comunicação ineficaz entre a tripulação e o ATC na final para pouso: as comunicações foram falhas entre os pilotos e o controlador de tráfego da torre do aeroporto. O controlador não foi claro em sua informação de que havia alterações na pista, e os pilotos não questionaram ao não entenderem claramente o que o controlador havia dito. “A torre disse algo sobre o comprimento da pista de uma maneira distorcida, que nenhum dos tripulantes conseguiu entender. Eles deveriam ter buscado esclarecimentos”.

4. As marcações e iluminação da pista não representam a cabeceira deslocada: apesar do deslocamento da cabeceira, a nova localização temporária do final de pista não estava demarcada conforme o necessário para a situação.

5. Toda a iluminação da pista estava ligada à frente da cabeceira deslocada: além de não haver a marcação da posição da cabeceira deslocada, todas as luzes da pista continuaram funcionando normalmente entre a deslocada e a original, dando aos pilotos a impressão de que não havia qualquer limitação na distância de pouso.

Informações da NAIB

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Murilo Bassetohttp://www.aeroin.net
Formado em Engenharia Mecânica e Pós-Graduando em Engenharia de Manutenção Aeronáutica, possui mais de 6 anos de experiência na área controle técnico de manutenção aeronáutica.

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