Avião que levou Maradona à Copa de 1986 foi sequestrado e levado à Cuba

Foto Aerolineas Argentinas

Numa semana que marca uma enorme perda para o futebol mundial, com a morte do craque do futebol Diego Maradona, aos 60 anos, um fato curioso pode ser relembrado envolvendo a aeronave que levou o escrete alviazul à sua mais memorável Copa do Mundo.

México 1986

Liderada por Maradona em seu auge, a seleção da Argentina derrubou todos os adversários que se impunham à frente. Apesar de empatar com a poderosa Itália, os argentinos passaram com vitórias por Coreia do Sul, Bulgária, Uruguai, Inglaterra (com o famoso gol de mão apelidado de “la mano de Dios”), Bélgica e Alemanha Ocidental, antes de abraçar a desejada Copa do Mundo e levá-la a Buenos Aires.

O voo da seleção argentina, e tudo o que aconteceu a bordo, pode ser lido nesse emocionado artigo do jornal argentino El Grafico que detalha, com riqueza de detalhes, todo o trajeto. No entanto, um fato curioso ronda a aeronave que levou e trouxe a equipe à sua casa: o jato Boeing 707 de matrícula LV-ISC.

Foto El Grafico

Cuba 1969

Dezessete anos antes do plantel argentino pisar em solo mexicano para conquistar o mundo, o mesmo avião que os transportou esteve envolvido num episódio muito mais complexo. Segundo uma matéria do El Litoral datada de outubro de 1969, o LV-ISC registrou um sequestro em pleno voo.

Segundo o reporte, a aeronave decolou às 9h52 da manhã de 8 de outubro de 1969 para realizar o AR-360, um serviço regular entre Buenos Aires e Miami com escalas em Santiago do Chile e Lima, levando 12 tripulantes e 54 passageiros.

Em certo ponto, sobre a região de Mendoza e antes de cruzar os Andes, um grupo de cinco jovens armados e de atitude agressiva, ordenou que o voo não seguisse a Miami, mas que fizesse uma parada em Cuba. Para tanto, os agressores orientaram aos pilotos que reabastecem em Santiago para um voo direto até Havana e cancelasse a parada usual em Lima.

Assim foi feito. Após tentativas frustradas por parte das autoridades chilenas de fazerem com que os sequestradores se rendessem, a extorsão acabou por ser aceita e o jato decolou novamente rumo à Cuba às 12h49 daquele dia.

Com o voo prosseguindo ao seu destino forçado, o comandante Anibal Aguirre mantinha informadas as equipes em solo sobre o que acontecia abordo. Segundo o piloto todos estavam bem, o que trazia certo alívio, embora as incertezas e a disposição dos sequestradores de seguirem até a ilha onde governava Fidel Castro, dez anos após a tomada do poder pela Revolução Cubana.

Após várias horas, às 20h27 do mesmo dia (hora de Buenos Aires), o avião pousou em Havana e os cinco homens armados, tomados de excitação, desembarcaram. Certamente eles buscavam pedir asilo devido aos seus ideais e ao fascínio que a revolução de Che e Castro exerciam em parte da juventude latino-americana. Tanto esse era seu desejo que, depois de haverem saído, a aeronave foi liberada para seguir a Miami sem que ninguém tenha se ferido.

O paradeiro dos jovens nunca foi confirmado.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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