Avião soviético volta ao Rio de Janeiro para buscar armas, que terão o Congo como destino

Foto: RADA

EXCLUSIVO – Informações recebidas de uma fonte na Bielorrússia dão conta de que o raro jato Ilyushin IL-62 da empresa aérea local, Rada Airlines, deve voltar ao Brasil em breve. A programação ainda não está totalmente definida, mas a aeronave estaria sendo alocada para transportar uma carga especial do Rio de Janeiro para Kinshasa, na República Democrática do Congo.

Tal carga seria composta de armamento de baixa letalidade, incluindo bombas de efeito moral, spray de pimenta e balas de borracha. Lembrando que o Brasil exporta esse tipo de equipamento a forças policiais e militares em várias partes do mundo.

Em setembro, os leitores do AEROIN souberam, com exclusividade, de outra operação similar, realizada pela mesma empresa, mas tendo o Sudão como destino.

O IL-62 modelo muito raro no mundo hoje, com apenas três exemplares voando em operações civis e um punhado em operações militares, principalmente no leste europeu e Ásia.

Mais do IL-62

O Ilyushin Il-62 é um jato soviético de corpo estreito (um corredor, ou narrowbody) de longo alcance, concebido em 1960 pela fabricante Ilyushin. Foi o sucessor do turboélice Il-18 e tinha capacidade para quase 200 passageiros e tripulação.

O Il-62 entrou no serviço comercial em 15 de setembro de 1967 com um voo inaugural de passageiros de Moscou a Montreal operado pela Aeroflot. Ao longo da história, operadores de mais de 30 nações tiveram o Il-62 em suas frotas, a maioria delas países da URSS e simpatizantes.

Este mesmo quadrijato, objeto dessa matéria, já esteve no Brasil pela Rada Airlines, em 2019, quando fez uma parada técnica em Recife. Além disso, na década de 1990, era comum ver no aeroporto internacional de Guarulhos os IL-62 da Cubana de Aviación, que ligavam São Paulo a Havana.

Os sucessores do Il-62 incluem o Il-86 e o Il-96 de corpo largo, ambos fabricados em quantidades muito menores e nenhum dos quais foi amplamente exportado.

Como acompanhar no radar

Primeiro, é importante saber que essa aeronave costuma estar ocultada das principais plataformas de rastreamento de voos a pedido da própria empresa. Isso faz com que, quase sempre, seu paradeiro seja um mistério para a maioria das pessoas. Mas dá para acompanhar o voo pelo aplicativo ADS-B Exchange.

Para quem não conhece, o ADS-B Exchange é uma ferramenta de monitoramento de voos que captura quase tudo o que voa com o equipamento ADS-B ligado (desde que haja receptores no solo). Ele fornece dados não filtrados na tela do radar, por isso ele tem uma interface menos amigável. Por outro lado, ele é menos discreto. Houve situações em que pessoas flagraram o Air Force One (do presidente dos EUA) e muitos jatos militares, nessa ferramenta.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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