Aviões Embraer 190 permitirão à Alliance triplicar suas horas de voo, prevê a companhia

Embraer E190 – Imagem: Alf van Beem / CC0, via Wikimedia Commons

A companhia australiana Alliance Airlines diz que os 30 novos aviões Embraer E190 que irá adicionar à sua frota até maio do próximo ano são apenas o início de seus planos de expansão de longo prazo. A provedora de serviços aéreos superou a turbulência dos últimos 18 meses e agora vê um papel importante para si mesma no mercado de companhias aéreas pós-pandemia da Austrália.

Segundo o The Sydney Morning Herald, o grupo listado no mercado financeiro da Austrália passa despercebido, mas é o maior fornecedor de serviços de fretamento fly-in, fly-out (FIFO) para o setor de mineração da Austrália, e agora quer uma fatia maior do mercado doméstico de viagens, assinando contratos para operar voos usando seus aviões a jato de menor porte em nome da Qantas e da Virgin Australia.

O co-fundador e diretor administrativo da Alliance, Scott McMillan, diz que o grupo está pronto para crescer depois que um aumento na demanda FIFO durante a crise da COVID-19 o salvou da devastação que a pandemia infligiu a quase todas as outras companhias aéreas do mundo.

McMillan diz que a Alliance vai triplicar suas horas de voo anuais quando acabar de receber todos os 30 aviões a jato Embraer E190 que comprou no ano passado a preços descontados devido à crise da COVID, financiados por meio de captação de US$ 96 milhões. Os jatos de 94 passageiros chegarão à Austrália até maio do próximo ano, juntando-se à frota existente de 43 jatos Fokker 50, 70 e 100.

Embraer E190 – Imagem: @randyuh, via Allaince Airlines

A Qantas voa oito dos jatos E190 da Alliance sob um acordo de arrendamento no qual a Alliance fornece tripulação e aeronave (pintados nas cores da Qantas), e na última quinta-feira eles expandiram seu acordo para 18 unidades, contra 14 anteriormente.

“Há uma tendência global que a Qantas está seguindo, que é ter aeronaves menores voando ponto a ponto, evitando assim os grandes hubs. Você poderá voar em pares de cidades em que nunca pensou e isso é muito bom para o público viajante”, comenta McMillan.

A Qantas – que possui um quinto das ações da Alliance – está tirando o máximo de proveito do mercado doméstico de viagens enquanto a fronteira internacional da Austrália permanece fechada. Lançou 45 novas rotas desde o início da pandemia e a Alliance está desempenhando um papel fundamental nessa expansão, com seus E190 atendendo novas rotas como Canberra-Darwin e Adelaide-Cairns.

Essas rotas podem não ter demanda suficiente para os Boeing 737 de 174 assentos da Qantas, mas ela acha que pode preencher os 94 assentos nos Embraer 190 da Alliance.

A Virgin tinha um contrato de arrendamento com tripulação de longa duração com a Alliance para voos regionais de Queensland antes de entrar em recuperação judicial em abril do ano passado, e agora recontratou a Alliance para voar para alguns dos destinos menores.

McMillan diz que a Alliance estará bem posicionada para levantar dívidas ou capital para financiar a expansão da frota, uma vez que vê mais demanda de locação com tripulação, crescimento no setor de recursos e o retorno de seu próprio trabalho de fretamento de turismo receptivo quando a fronteira com a Austrália for reaberta.

“Estaremos prontos para aproveitar qualquer oportunidade para aumentar nossa frota ou aumentar a escala do que fazemos”, diz ele. “Na verdade, estamos muito otimistas quanto ao estado da aviação doméstica”.

Murilo Bassetohttp://www.aeroin.net
Formado em Engenharia Mecânica e Pós-Graduando em Engenharia de Manutenção Aeronáutica, possui mais de 6 anos de experiência na área controle técnico de manutenção aeronáutica.

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