Aviões que foram da Itapemirim voaram em pistas de terra na África

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Até hoje, na aviação africana, encontram-se vários exemplos de desbravadores. São pessoas que desafiam as intempéries para oferecer conexões aéreas de passageiros e cargas aos quatro cantos do continente. Geralmente voando aviões antigos, operando em pistas deterioradas ou de terra, levando cargas perigosas em empresas sem muita estrutura que lidam todos os dias com corrupção, guerras civis e outros conflitos. De fato, esses são elementos que rendem um roteiro para um bom filme de ação.

Um documentário francês antigo, de 50 minutos, intitulado “Petroleiros em Pleno Céu” (do francês “Tankers en Plein Ciel”), é famoso entre os entusiastas de aviação, mas desconhecido do grande público. Nele, são retratadas todas essas dificuldades supracitadas, complementadas por imagens impressionantes da operação de cargueiros em Angola, com especial destaque para os Boeings 727 da Air Gemini e da Transafrik.

Separamos um trecho do documentário abaixo (espere carregar), que destaca a decolagem de um Boeing 727 que voou no Brasil, abaixo há mais detalhes sobre ele.

Confiabilidade do 727

A versatilidade e confiabilidade do Boeing 727 – o primeiro trijato introduzido em serviço comercial – tornou-o o avião comercial mais vendido do mundo durante os primeiros 30 anos do transporte à jato. A produção do 727 estendeu-se do início dos anos 1960 até 1984, um período notável, considerando que a previsão original do mercado era de 250 aviões e, no final das contas, mais de 1.800 foram entregues. 

Em 1998, havia ainda 1.500 jatos do modelo voando no mundo, muitos deles em operações cargueiras e nas condições mais diversas possíveis, como é o caso dos exemplares retratados no vídeo acima.

O nome do filme “Petroleiros em Pleno Céu” não foi escolhido ao acaso, uma vez que os jatos eram também empregados no transporte de combustível entre as regiões remotas de Angola, operando sob altíssimo risco em condições de segurança precárias.

Os Boeing 727 também eram preferidos pela posição dos motores, menos propensas a engolir grandes quantidade de detritos das pistas de terra.

Alguns voaram no Brasil

Curiosamente, alguns desses aviões mostrados no vídeo voaram no Brasil antes de seguirem para a África. Eles foram parte, especialmente, da frota da Itapemirim Transportes Aéreos em meados da década de 1990.

No documentário, é possível identificar dois jatos Boeing 727 ex-Itapemirim, a saber:

– PP-ITA (msn 18968): operou na Transafrik com a matrícula S9-BOD; e
– PP-ITM (msn 19507): voou na Air Gemini com registro S9-BAH (na foto acima, capturamos o frame do vídeo em que mostra essa aeronave decolando, observe o prefixo na porta do trem de pouso).

Outros aviões foram da Itapemirim e também acabaram incorporados pelas empresas angolanas, mas não aparecem no vídeo. São eles:

– PP-ITL (msn 20078): voou na Air Gemini como S9-BAI
– PP-ITP (msn 19313): esteve na frota da Transafrik como S9-BAG

Um dos trechos do vídeo mostra o então Diretor Técnico da Air Gemini, Jean-Pierre Barbe, pesquisando pelos aviões da Itapemirim e viajando até o Rio de Janeiro para vê-los pessoalmente antes da aquisição (imagem abaixo).

Futuramente, falaremos da situação atual dessas aeronaves. Por hora, vale a pena assistir ao documentário completo, embora ele esteja em tcheco (há uma versão em francês na internet também), pois apenas as imagens já contam muito da história desses clássicos jatos.

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Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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