Azul criticada por não escolher o eVTOL da Embraer, e sim o da Lilium?

A Azul Linhas Aéreas surpreendeu o mercado aéreo brasileiro nesta segunda-feira, 2 de agosto, com o anúncio de uma parceria com a empresa alemã Lilium. Como você pôde ver mais cedo aqui no AEROIN, o negócio pode ter um valor total de até US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,1 bilhões na conversão atual da moeda) e inclui uma frota de 220 aeronaves eVTOL, com operação prevista a partir de 2025.

Diante do anúncio, muitas pessoas começaram a questionar o porquê de a empresa aérea não ter escolhido o eVTOL que a Embraer está desenvolvendo, o que significaria uma decisão condizente com aquela opção de escolher os aviões E-Jet brasileiros no início de sua história, algo que foi bastante destacado pela Azul como uma atitude nacionalista.

Entretanto, há aspectos muito diferentes entre os dois projetos eVTOL, de forma que o mercado a ser atendido pela companhia aérea com o alemão Lilium Jet não é correspondente às capacidades do projeto Eve da Embraer. Entenda a seguir.

eVTOL do projeto Eve – Imagem: Embraer

eVTOL Lilium Jet – Imagem: Lilium

O projeto brasileiro, apesar de também ser um veículo elétrico de pousos e decolagens verticais (eVTOL) como o alemão, é voltado à mobilidade aérea urbana, ou seja, uma espécie de “táxi que voa”, para transportar as pessoas entre pontos dentro da cidade ou em municípios próximos.

O Lilium Jet, por outro lado, assemelha-se a um pequeno jato executivo de 7 assentos (note que seu nome “Jet” remete ao um jato) com objetivo de permitir viagens de maior alcance. Como vimos na semana passada, o eVTOL alemão tem 36 motores elétricos com arquitetura de dutos, que o permitirão ter uma velocidade de cruzeiro projetada de 175 mph (280 km/h) a 10.000 pés (3 km) de altitude e um alcance de mais de 155 milhas (250 km), incluindo reservas.

O projeto Eve da Embraer não voará tão alto, nem tão rápido ou tão longe. Trata-se de um mercado muito mais local.

O uso que a Azul Linhas Aéreas pretende dar ao veículo aéreo alemão é evidenciado por um de seus comunicados publicados hoje, em que afirma que “por meio dessa potencial malha aérea, a companhia pretende conectar grandes centros econômicos, regiões metropolitanas, cidades turísticas, condomínios residenciais e aeroportos”. Ou seja, nota-se claramente que não se trata apenas de mobilidade urbana.

A companhia ainda destaca que “este plano de investimento que está sendo avaliado reforça ainda mais os compromissos ESG da companhia ao alavancar, de forma inédita, o desenvolvimento econômico e social no Brasil por meio de um modelo de avião 100% elétrico, com zero emissão de carbono”.

É claro que a opção pelo produto alemão representa uma possível perda para a Embraer, afinal, ao decolar e pousar verticalmente, o Lilium Jet também poderá cumprir certos deslocamentos curtos urbanos que seriam possíveis de se fazer com o eVTOL brasileiro do projeto Eve.

Entretanto, não necessariamente os projetos são totalmente excludentes, afinal, em determinados trajetos urbanos o projeto Eve pode ser mais vantajoso do que o Lilium Jet, por exemplo, em termos de consumo de bateria. Aguardemos e vejamos nos próximos meses e anos como se desenvolverá esse novo segmento de viagens aéreas e quais serão os projetos vencedores na corrida dos veículos elétricos voadores.

Murilo Bassetohttp://www.aeroin.net
Formado em Engenharia Mecânica e Pós-Graduando em Engenharia de Manutenção Aeronáutica, possui mais de 6 anos de experiência na área controle técnico de manutenção aeronáutica.

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