Azul está falando com ‘lessores’ para tentar comprar sua rival Latam Brasil, diz jornal

Apesar do fim do codeshare, a Azul Linhas Aéreas parece realmente disposta a comprar a LATAM Brasil, e seu CEO vê até uma posição favorável do CADE.

© AEROIN

As duas empresas, que são hoje as brasileiras com a maior presença internacional, anunciaram nessa semana o fim do acordo de compartilhamentos de voos (codeshare). O comunicado, de supetão, chamou a atenção do mercado, mais ainda porque a Azul disse estar pronta para ser protagonista numa eventual consolidação de mercado – entenda-se “fusão de empresas”.

O acordo de codeshare permitia, por exemplo, que passageiros da Azul comprassem um trecho com a companhia e voassem o seguinte com a LATAM, e vice-versa. Logo de início surgiram vários rumores sobre uma possível fusão ou compra das empresas no futuro, dada a posição virtualmente menos favorável da LATAM, que está em Recuperação Judicial.

Desde o início do acordo, o CEO da Azul, John Rodgerson, deu sinais amistosos à fusão, mas o da LATAM, Jerome Cadier, sempre negou qualquer plano de unificação.

O assunto, no entanto, voltou a ser tema no mercado. E ontem, mais do que nunca, esta afirmação fica mais clara, segundo uma entrevista de Rodgerson ao Estadão. O executivo confirmou a ideia de comprar outra empresa, defendendo que a consolidação poderia ser saudável para o mercado e que o CADE aprovaria o processo, já que a sobreposição de rotas das empresas é pequena.

A Azul se beneficia de operar para mais de 110 destinos no Brasil, sendo metade destes de maneira exclusiva. Sem ou com a LATAM, o monopólio destas rotas já existe por falta de apetite das empresas rivais, e não teria onde o CADE combater.

“Acreditamos que o mercado de aviação poderia passar de três para dois players e isso seria saudável”, afirmou o CEO ao Estadão.

Avianca Brasil v2?

E hoje, mais um ponto surgiu para dar combustível aos rumores da fusão: Segundo o Valor Econômico, a Azul estaria conversando com os lessores da LATAM para que eles pressionem a empresa chilena a vender a parte brasileira.

Os lessores são bancos e financeiras que compram aviões e os arrendam para as empresas aéreas. A LATAM é a empresa que possui mais aviões próprios no Brasil como mostramos nesta análise exclusiva, porém, em meio à crise tem devolvido a maioria de seus aviões alugados.

Ainda segundo o periódico, as negociações com os Cueto, que comandavam a LAN Chile e hoje estão à frente do Grupo LATAM, não avançaram, e a Azul partiu para o plano B.

Na época da Recuperação Judicial da Avianca Brasil, esta conversa foi frutífera, já que os lessores retomaram os aviões da empresa de Efromovich e imediatamente repassaram para a Azul, além de terem, como credores, pressionado a Avianca para aceitar o acordo da Azul.

No final, a Avianca acabou aceitando a pressão da LATAM e da GOL, e preferiu dividir a empresa em UPI (Unidades Produtivas Isoladas) e leiloar cada uma separadamente, para garantir maior aporte. O plano acabou fracassando, já que a empresa não teve capacidade de emitir os Certificados de Operador Aéreo para cada UPI, e sucumbiu, sendo que a Azul assumiu maioria das rotas, pessoal e aviões.

Caso o plano da Azul seja bem sucedido, será a terceira empresa aérea que a companhia fundada por David Neeleman adquire: a primeira foi a TRIP Linhas Aéreas e a segunda foi a TwoFlex Táxi Aéreo, hoje Azul Conecta.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

Veja outras histórias