Azul passa mais detalhes sobre possível joint venture com a portuguesa TAP

A Azul Linhas Aéreas Brasileiras adicionou mais detalhes à joint venture (JV) planejada com a TAP Air Portugal, que já havia sido anunciada pelo fundador e presidente da companhia aérea, David Neeleman, durante uma atualização a investidores em 7 de novembro. A transação foi posteriormente aprovada pelo Comitê de Governança e pelo Conselho de Administração da Azul.

Avião Airbus A330-900 A330neo Azul
Airbus A330neo da Azul

Em sua apresentação ao mercado, a companhia aérea afirma que a joint venture não corporativa visa “proporcionar benefícios aos clientes, comunidades e mercado entre o Brasil e a Europa”.

O acordo colaborativo de compartilhamento de receita pretende oferecer um “serviço contínuo” aos passageiros “por meio de uma melhor coordenação dos horários dos voos”.

Espera-se que a joint venture conduza o crescimento do tráfego entre as duas regiões. As receitas adicionais serão distribuídas de acordo com “a capacidade pré-JV implantada por cada transportadora”.

A TAP é atualmente a operadora líder de serviços regulares entre a Europa e a América do Sul, com mais de 19.000 assentos semanais e 69 voos semanais partindo de Lisboa e Porto, de acordo com dados do ch-aviation.

Do outro lado, atualmente, a Azul oferece apenas 14 serviços semanais e uma capacidade de quase 3.700 assentos semanais, de Viracopos a Porto (3x por semana) e Lisboa (11x por semana).

A companhia aérea brasileira espera que a JV proporcione um crescimento nas receitas para ambas as empresas e que também permita que as duas empresas alinhem os programas de passageiro frequente. Também espera uma melhor conectividade com a rede doméstica brasileira e melhor acesso ao mercado europeu.

O acordo de joint venture proposto depende de aprovações relevantes das autoridades governamentais dos dois países. Se for bem-sucedido, ele ficará ao lado de outras joint ventures transatlânticas, como entre Virgin Atlantic, Delta Air Lines e Air France-KLM, e entre United Airlines, Grupo Lufthansa e Air Canada.

Entra a joint venture, sai David Neeleman

David Neeleman maquete A330 TAP
David Neeleman segura uma maquete do A330 da TAP © Gonçalo Rosa da Silva – Expresso.pt

Enquanto o acordo de joint venture avança bem entre as duas empresas aéreas, o mesmo não ocorre na relação entre David Neeleman e o governo português.

O fundador da Azul, que possui uma fatia de 45% do controle da TAP e tem sido responsável pela gestão desta já há alguns anos, está bastante descontente com a participação de Portugal na companhia. O governo controla 50% da empresa aérea, mas não estaria agindo com a eficiência e comprometimento que Neeleman gostaria.

O empresário brasileiro-americano já considera vender sua participação na TAP e avalia outras possibilidades de investimento em grandes companhias aéreas. Veja mais detalhes na matéria a seguir:

Murilo Basseto

Formado em Engenharia, foi um dos líderes do Urubus Aerodesign da Unicamp e um dos responsáveis por alçar o grupo à elite mundial da engenharia aeronáutica universitária. Atualmente é Editor-Chefe do AEROIN.