AZUL mantém contratos de repasse de 53 aviões para Breeze e LOT

Um dos temas tratados pela Azul Linhas Aéreas Brasileiras durante sua apresentação de resultados a investidores, mas pouco divulgado, foi o acordo que tem com as empresas LOT, da Polônia, e a Breeze, start-up americana criada por David Neeleman.

Avião Embraer E195 Azul

Quem nos acompanha deve se lembrar de quando publicamos aqui as informações de resultados trimestrais da Azul Linhas Aéreas, no final da primeira quinzena de maio.

Um dos temas que ficaram em evidência naquela época foi a postergação até 2024 das entregas de mais de cinquenta novas aeronaves Embraer E2, as quais eram originalmente previstas para acontecerem entre 2020 e 2023, a um ritmo de uma aeronave nova a cada duas semanas, e substituiriam a atual frota de 53 Embraer 190/195 da série E1.

Acordo com a Breeze e LOT

Voltando um pouco mais, em janeiro de 2020, quando a Covid-19 ainda não era uma pandemia, a Azul anunciou que repassaria esses 53 E-Jets E1 de sua atual frota para as empresas LOT e Breeze, na medida em que novas aeronaves E2 fossem incorporadas.

Segundo o acordo de sublocação, todos os E1 deveriam sair da frota até o final de 2022, para dar lugar aos E2. Na época, tanto David Neeleman, quanto executivos da polonesa LOT celebraram o acordo.

Rafał Milczarski, CEO da LOT chegou a comentar assim: “os E195s são fundamentais para a missão da nossa frota de curto alcance. Muito elogiados por nossos passageiros, eles já provaram sua confiabilidade e eficiência de custos nos últimos anos e é isso que almejamos ao desenvolver a malha de voos a partir de nossas bases em Varsóvia e Budapeste. Graças a isso, em 2021, a LOT será a maior operadora de jatos Embraer na Europa e uma das maiores do mundo”.

Depois disso, pouco se falou sobre boas notícias. Ao invés disso, com a pandemia batendo à porta, as empresas se voltaram para seu caixa e os esforços de redução de custos. A LOT, que havia anunciado a compra da alemã Condor, voltou atrás e cortou esse projeto, junto a tantos outros investimentos. Enquanto isso, os planos para a Breeze seguem em “banho-maria” esperando o que virá no momento pós-Covid.

Somando todos esses elementos trazidos pela crise – postergação da entrega dos E2 para a Azul, a parada geral de aviões em todo o mundo e a expectativa de retomada lenta – muitos poderiam se questionar sobre a durabilidade do acordo de repasse das aeronaves E1.

Acordo continua em pé

Mas a resposta surgiu durante a própria conferência de resultados, cujo áudio e transcrição podem ser acessados a qualquer tempo no Seeking Alpha.

Segundo John Rodgerson, CEO da Azul, o acordo continua válido, mas não se sabe quando ele será concluído, já que as incertezas ainda existem sobre o tempo de retomada da demanda da aviação e, por consequência, quando LOT e Breeze necessitarão das aeronaves.

“Temos um ótimo relacionamento com a Embraer e estamos muito animados com o E2. Infelizmente, tivemos que adiar nossos planos de pegar mais desses aviões até que a economia se recuperasse. É importante destacar que também temos 51 aeronaves saindo naturalmente de nossa frota antes que esses E2 cheguem. Independente disso, ainda há as possíveis sublocações para o LOT e Breeze cujo contrato ainda é válido. Na medida em que o tamanho do mercado mude após o COVID-19, queremos estar preparados”, disse Rodgerson.

Todos os Embraer da frota da Azul são arrendados de empresas de leasing, de modo que o ganho da empresa aérea com a transação com LOT e Breeze são marginais, embora não tenhamos detalhes, certamente refere-se a alguma comissão por intermediar o negócio com as empresas de leasing. Ainda assim, é um bom negócio para a Azul manter a transação em pé.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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