Poderia a Azul iniciar voos para Nova Iorque e Paris já no próximo ano?

Com a expectativa do aquecimento da economia e a chegada de novas aeronaves, a expansão da malha internacional da Azul Linhas Aéreas pode estar próxima de acontecer. Fontes de mercado informaram que dois novos destinos podem ser iniciados já em 2020.

Azul A330neo

A informação dos novos voos teria sido discutida internamente como parte do planejamento estratégico para os próximos anos e a expectativa seria de dar o pontapé na expansão internacional ainda no primeiro semestre de 2020 com voos para Nova Iorque. Além da maior cidade dos Estados Unidos, outra novidade seria o “retorno” a Paris mais para o final do ano, antes do início da próxima temporada de inverno europeu / verão brasileiro.

No parágrafo acima, colocamos a palavra “retorno” entre aspas porque entendemos que, de certa forma, a Azul já operou indiretamente para Paris através da parceria com a finada Aigle Azur. O voo era basicamente alimentado pela rede da Azul e mantinha uma boa taxa de ocupação, com média de 80%. Inclusive, já falamos da possibilidade da volta deste voo e outros motivos que tornam Paris um potencial destino da Azul.

Além disso, a frota de A330-200 e A330neo tem crescido e chegará a 13 no começo do próximo ano. Essa quantidade de aeronaves seria grande para o atual mapa de rotas da empresa, então as alternativas seriam devolver jatos mais antigos e trocar pelos novos Neo ou alocar as aeronaves a novas rotas. Acreditamos mais na segunda hipótese, em vista à perspectiva de um cenário econômico mais favorável nos próximos anos.

Newark ou JFK?

Uma questão interessante que nasce com essas novidades é sobre qual aeroporto a Azul poderia usar, já que as duas cidades são as maiores de seus países e contam com dois aeroportos internacionais principais.

No caso de Nova Iorque há o JFK e o Newark, onde o primeiro é o principal portão de entrada dea cidade e conta com um grande hub da JetBlue, outra empresa aérea fundada por David Neeleman e que, por isso, é considerada a “irmã” da Azul. Partindo do JFK, a JetBlue possui 72 destinos diretos.

Já Newark é do outro lado da cidade, ou melhor dizendo em outro estado: Nova Jérsei. Apesar de ser um pouco mais distante do centro de Nova Iorque, o acesso é mais fácil e ele se destaca por ser um mega hub da United Airlines, acionista e parceira da Azul, que deixou de operar no JFK em 2015.

A operação da United em Newark é uma herança da Continental Airlines que foi absorvida pela empresa em 2012. Desde então a United procurou fortalecer este hub, deixando apenas voos para Los Angeles e São Francisco no JFK, o que não ajudaria em muito a Azul em termos de conexões.

Mesmo assim o presidente da United já afirmou em 2017 que foi um erro sair do JFK, e que, embora haja o interesse de retornar, hoje a viabilidade estaria comprometida pela forte concorrência da American, Delta e JetBlue. Haveria outro entrave, em que a empresa teria que comprar slots de outra companhia aérea para entrar no saturado aeroporto nova-iorquino.

Enquanto isso, em Newark a United dá as cartas. São 78 destinos diretos, inclusive no Brasil, sem contar os operados pela United Express.

Acesso a Boston

Outro ponto interessante a se considerar é o acesso de brasileiros a Boston, capital do estado de Massachusetts e um grande reduto de brasileiros nos EUA. Hoje, apenas a Latam possui voos diretos para lá.

Caso a Azul entre em Nova Iorque, haveria a possibilidade de aproveitar as rápidas conexões para Boston. A partir do JFK são 6 voos diretos com a JetBlue, que também tem hub em Boston. Saindo de Newark, são 5 voos da JetBlue e 10 da United Airlines.

Orly ou Charles De Gaulle?

As mesmas questões vistas acima se repetem no lado francês, onde o Aeroporto Charles de Gaulle é maior e mais congestionado, porém mais atrativo para as conexões. Quando operava no Brasil, o voo da Aigle Azur só seguia para Orly devido às origens da companhia como uma “leisure airline”, focada em viagens de turismo para o Mediterrâneo a um menor custo, por isto se instalou seu hub no segundo aeroporto de Paris.

Entretanto, sem a presença da Aigle Azur, não há sentido manter um voo num aeroporto mais isolado, e que conta com menos parceiros para alimentar conexões, sejam os atuais ou potenciais para o futuro.

Historicamente a rota Paris-São Paulo sempre foi operada principalmente na Air France, um player brasileiro, que hoje em dia é a Latam, eventualmente um terceiro player. Como vimos antes, a demanda de passageiros parece justificar a entrada de outra empresa na rota e a única com condição de entrar imediatamente nesse mercado é a própria Azul.