Azul tem expectativa de operar o Airbus A350 a partir do segundo semestre de 2022

Apesar de ainda não confirmar publicamente, a Azul Linhas Aéreas sinaliza que tem planos de operar com o modelo Airbus A350 a partir do segundo semestre de 2022. Informações compartilhadas com AEROIN por pessoas próximas da empresa, em regime de anonimato, comentam que a empresa tem falado com suas equipes sobre a futura operação do modelo e que novidades serão divulgadas em breve.

Para a empresa, a chegada da aeronave não se justificaria para o curto prazo, uma vez que a demanda por viagens internacionais de longo curso tem sido retomada gradualmente na medida em que as fronteiras dos países são reabertas.

No entanto, considere que, como tudo na pandemia, o cenário pode mudar. Relembre abaixo um levantamento que fizemos a respeito do A350.

1- Azul é garantidora de três A350 que estão parados

Muito antes de a Covid-19 ser declarada uma pandemia, a empresa aérea chinesa Hainan Airlines não vivia uma boa situação financeira e vendia ativos para se manter em pé. Um desses ativos valiosos, do qual se desfez em 2018, era sua participação de cerca de 24% na Azul.

No entanto, antes de se desfazer das ações, a Hainan negociou, em setembro de 2017, a incorporação de três aeronaves que eram parte da encomenda original da empresa brasileira (msn 98, 112 e 124), tendo a Azul como garantidora da operação (fiadora), como mostra esse arquivo registrado na Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC).

Na época, embora uma das aeronaves tenha até recebido a logo da Azul na cauda, nenhuma delas jamais veio ao Brasil, ao contrário, foram entregues diretamente na China, aonde voaram por poucos anos. Hoje, todas elas estão paradas há mais de um ano, sendo a 98 e 112 em Pequim, e a 124 em Lourdes, na França.

Segundo os rumores nascidos no ano passado, esses poderiam ser três dos futuros A350 da Azul.

2- Azul tem quatro A350-900 na carteira da Airbus

Quem consultar o livro de pedidos da Airbus, que é público, verá que a Azul possui quatro A350-900, teoricamente reservados junto à fabricante europeia. Essa reserva, no entanto, vem de 2014, quando a empresa aérea colocou a encomenda, mas depois desistiu e elas acabaram indo para outro operador, o Grupo Hainan Airlines.

Adicionalmente, declarações anteriores de executivos da empresa diziam que a companhia havia desistido do modelo, mas o fato de ainda constarem os quatro A350 na lista da fabricante poderia indicar o contrário e levantar rumores.

Um exemplo importante de como a lista a Airbus funciona envolve a concorrente Latam, que possuía encomenda para dois A350-1000, mas que foram removidas do livro da Airbus no mês passado, depois que a empresa desistiu deles em definitivo.

3- A última declaração da Azul foi enigmática

Em março, durante uma entrevista ao Infomoney, o CEO da Azul John Rodgerson foi indagado sobre a futura implementação do A350 na frota. Naquele momento, começavam a nascer os rumores sobre a incorporação da aeronave. A resposta de Rodgerson, no entanto, foi enigmática. Ele apenas disse: “Não vamos receber o A350 sem retirar o A330”.

Como ele não foi enfático, levantaram-se dúvidas sobre a possibilidade de virem os A350. No entanto, para quem estava assistindo desde o início, a impressão que deu pela resposta é que ele estava se referindo ao fato de que não faz sentido aumentar frota naquele momento com aviões voando vazios.

Antes dessa entrevista e da pandemia, executivos da empresa haviam comentado que a aeronave não fazia mais parte dos planos de frota, mas aí, voltamos ao ponto um.

4- O A330-200 é o modelo mais antigo na frota

A idade média da frota da Azul é de 7 anos, mas esse número seria muito menor se fossem desconsiderados os Airbus A330-200, cuja idade média é de 17 anos. Ao todo, a empresa possui oito deles e uma parte poderia dar lugar a aeronaves mais modernas e eficientes.

No entanto, o substituto natural do A330-200 seria o A330-900 e não o A350, de maior capacidade, mas isso não impede a Azul de aumentar a oferta de assentos em algumas rotas de maior demanda.

5- Inclusão formal do A350 no certificado

Não encontramos evidências de que o A350 está incluído no certificado de operador aéreo da Azul, mas isso não significa que não existam. Essa é uma informação particular da empresa e nem sempre conseguimos acessar. O fato é que, para operar a aeronave, a Azul precisa que o modelo esteja incorporado formalmente, seguindo passos definidos pela ANAC.

Apesar de ser um processo complexo, não costuma demorar depois que a aeronave chega ao Brasil. A alta interoperabilidade entre os modelos A330-900 e A350-900 facilita o processo de treinamento dos pilotos.

6- Ainda não consta um pedido de traslado

Ainda não consta um pedido de traslado de aeronave para a Azul. Esses pedidos são colocados semanas antes de o avião ser transferido ao Brasil, pois podem envolver trâmites aduaneiros e emissão de certificados de exportação, que demoram às vezes para ficar prontos.

De novo, isso não permite afirmar se o avião vem ou não, mas apenas adiciona um ingrediente na conversa, mostrando que a empresa ainda não solicitou o traslado.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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