Banida por ter pilotos falsos, PIA apela para “comandantes de aluguel”

Depois de um acidente fatal em maio passado, notadamente causado por decisões incorretas dos pilotos, a Pakistan International Airlines (PIA) começou a ver desmascarado seu processo de contratação de pilotos, repleto de falhas e de profissionais com licenças falsas. Relatórios locais preliminares inclusive apontam para indicações políticas na hora de promover um piloto a comandante e resultaram na suspensão de um terço de seus aviadores.

Ato contínuo a toda essa balbúrdia, a empresa aérea acabou banida pelas agências de aviação europeia (EASA) e norte-americana (FAA), enquanto possui milhares de passageiros paquistaneses em outros países ainda aguardando para retornar ao Paquistão. Isso atrapalhou os planos do governo, mas não os cancelou.

Num tuíte no sábado (18), o primeiro-ministro Imran Khan reiterou a decisão de seu governo de amparar as comunidades de paquistaneses no exterior, muitos deles presos devido à pandemia. “Já trouxemos cerca de 250.000 paquistaneses e estrangeiros de vários países. Meu governo continuará a suportar os paquistaneses em todos os lugares e de todas as maneiras possíveis”, disse o primeiro-ministro.

Para viabilizar esse plano do governo enquanto vê suas aeronaves sem poder voar porque ninguém as aceita, com receio de outras contravenções às normas da aviação internacional, não resta outra alternativa senão pagar para que outra empresa aérea faça o serviço.

Desta forma, segundo o Gulf News, a PIA está em negociação com uma companhia aérea privada (que tenha pilotos verdadeiros) para que esta opere voos fretados para resgatar os paquistaneses presos na Europa e nos EUA.

Uma vez selado o contrato, essa aérea privada poderá usar aeronaves da PIA para fazer os voos e trazer de volta os paquistaneses.

Em resumo

Essa é uma alternativa de receita para muitas empresas aéreas ao redor do mundo, já que os paquistaneses certamente pagarão um alto valor pelos “comandantes alugados” para fazer valer a promessa governamental de que todos seus concidadãos presos fora do país serão retornados.

No entanto, embora a matéria do Gulf News informe que o processo está avançado, não está claro de que modo uma empresa banida poderia usar seus aviões em voos para a Europa ou EUA, apenas trocando os pilotos. Talvez seja mais viável que a PIA alugue o “pacote completo” de avião e tripulação para esses voos, de modo que a empresa aérea fornecedora use seus próprios aviões e equipe.

Até porque, convenhamos, após tantas quebras de confiança, que companhia se sentiria segura de voar os aviões da PIA?

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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