Belavia pode perder toda a frota de jatos Embraer E2 se Europa aprovar novas sanções

A disputa entre a Bielorrússia, do ditador Alexander Lukashenko, e o restante da Europa, pode gerar problemas para a transportadora aérea bielorrussa Belavia. Após sofrer sanções por usar medidas extremas contra opositores políticos, Lukashenko está sendo acusado pela criação de uma nova crise humanitária, usando seu país como meio para facilitar a entrada de refugiados no velho continente.

Países vizinhos acusam a Bielorrússia de permitir que imigrantes ilegais cheguem a seu território cruzando as terras bielorrussas com apoio do governo local. Alguns movimentos suspeitos foram apontados pelos países europeus, como a grande quantidade de voos em rotas incomuns ligando Turquia e Oriente Médio à Minsk, capital da Bielorrússia.

Como cita o aeroTELEGRAPH, um dos pontos citados pela Lituânia diz respeito a uma série de voos da companhia aérea estatal bielorrussa Belavia para a Turquia nas últimas semanas. A Lituânia suspeita que não haja apenas turistas bielorrussos a bordo dos voos de regresso, mas também refugiados que são então escoltados até à fronteira pelas autoridades.

Outros exemplos citados foram voos do Iraque para Minsk, em agosto, com centenas de iraquianos a bordo. Os refugiados foram pegos entrando na Lituânia, o que levou o caso à UE e, após pressão do bloco, as companhias aéreas Iraqi Airways e Fly Baghdad interromperam seus voos para a Bielorrússia.

Como escreve a revista Politico, a Lituânia, juntamente com colegas da Estônia, Letônia e Polônia, quer acabar com este tráfico estatal de pessoas o mais rápido possível. Uma das medidas propostas seria o encerramento de quaisquer contratos de leasing de aeronaves entre as locadoras europeias e a Belavia.

Assim como outras empresas aéreas do mundo, a Belavia é fortemente dependente de locadores. De acordo com a base de dados da CH-Aviation, apenas nove entre 30 aeronaves são próprias, todas as outras 21 são alugadas, e uma boa parte delas de locadoras da Irlanda e Dinamarca, incluindo os três jatos Embraer E2, que são da irlandesa Aercap.

Caso um boicote desses se confirme, a empresa teria que parar de voar todas essas aeronaves e isso poderia lhe tornar inviável no curto prazo.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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