Boeing 737 quebra trem de pouso e contribui para caos no Aeroporto de Bogotá

Um Boeing 737 de uma companhia aérea venezuelana quebrou o trem de pouso ao pousar em Bogotá, aumentando o caos no Aeroporto El Dorado.

Boeing 737 Avior Bogotá

O Boeing 737-400 de matrícula YV3012 da companhia aérea Avior cumpria um voo de Barcelona, na Venezuela, para Bogotá, na Colômbia, na noite de ontem (22) quando o seu trem de pouso principal do lado direito colapsou no pouso.

Ainda não se sabe o motivo do colapso do trem de pouso do 737, que acabou por encostar o seu motor direito na pista com a quebra da estrutura.

O pouso teria acontecido pela cabeceira 13L. Apesar do Aeroporto El Dorado ter duas pistas, ele ficou fechado por alguns minutos após o incidente.

Boeing 737 trem Bogotá

Escada Boeing 737 Bogotá
Passageiros desembarcam sem ferimentos do 737 da Avior

Dia caótico no El Dorado

Filas longas para pegar táxi no El Dorado

O incidente só trouxe mais caos ao Aeroporto El Dorado, que na virada do dia 22 para o dia 23 já enfrentava grandes transtornos, com o índice de atrasos do FlightRadar24 marcando 5, o maior possível.

A média de atrasos para as chegadas é de 54 minutos, sendo que 24% dos voos (115 pousos) estão com com atrasos maiores de 15 minutos, e 5% dos voos chegando foram cancelados até a madrugada do dia 23.

Já para decolagem, o índice aponta para uma situação pior: 64 minutos de atraso em média para partidas, sendo que 67% das decolagens (314 voos) estão com atrasos maiores que 15 minutos e 22 voos já foram cancelados, 5% do total.

Mas o motivo não tem a ver com o incidente do 737, e sim com o governo municipal, que declarou toque de recolher das 21h de sexta até 5h da manhã de sábado. O mapa do trânsito na região do aeroporto já mostrava diversas áreas de congestionamento ao final da tarde:

Trânsito em Bogotá em meio a protesto e antes do toque de recolher

A medida drástica do governo foi tomada depois de protestos contra o presidente Iván Duque. Manifestantes chegaram a ir em direção ao Aeroporto El Dorado, mas foram repreendidos pela polícia.

Com os protestos, o trânsito ficou caótico e o transporte público parou quando iniciou-se o toque de recolher, assim como muitos taxistas ficaram com receio de sair nas ruas, seja por falta de segurança ou por medo da repressão da polícia.

O resultado para a aviação não podia ser outro: passageiros, tripulantes e funcionários do aeroporto não conseguem ir para o El Dorado ou sair dele. A Avianca emitiu um comunicado com instruções a seus funcionários:

Instruções da Avianca para o toque de recolher em Bogotá

O governo, através da administração do Aeroporto e da Aeronáutica Civil da Colômbia, afirmou que todos que estão indo trabalhar no El Dorado estão isentos do toque de recolher, assim como os passageiros, desde que estejam portando documento e passagem aérea válida. Centrais de táxi foram chamadas para reforçar o serviço.

Para evitar maiores problemas para os seus passageiros, a Avianca e a LATAM informam que os passageiros que estejam com destino a ou saindo de Bogotá nos próximos três dias poderão alterar sua passagem para data futura sem custo, mediante disponibilidade.

As empresas aéreas ressaltam que antes de sair para o aeroporto, o viajante deve checar o status do seu voo, portar documento oficial e passagens imprensas.

Carlos Martins

Despertou a paixão pela aviação em 1999 em um show da Esquadrilha da Fumaça. Atualmente é Piloto Comercial, Despachante, Bacharel em Ciências Aeronáuticas, membro da AOPA e veterano da Western Michigan University #GoBroncos