Boeing 737 saiu da pista após tentar pouso “caranguejo” em condição indevida

Um Boeing 737-800 da Turkish Airlines saiu da pista em um incidente na Ucrânia, e agora investigadores apontam no relatório que o uso incorreto de uma técnica é o provável motivo da ocorrência.

Imagem: AvHerald

O relatório foi emitido recentemente pela autoridade ucraniana de aviação civil, o NBAAI – National Bureau of Air Accidents Investigation. O caso ocorreu em 21 de novembro do ano passado no voo TK 467 da Turkish Airlines de Istambul, na Turquia, para Odessa, na Ucrânia. No mesmo dia, um jatinho também se acidentou no aeroporto, conforme reportado aqui no AEROIN.

A aeronave de matrícula TC-JGZ tinha feito uma primeira aproximação e acabou arremetendo por estar desestabilizada. Depois, fez órbitas circulares nas proximidades do aeroporto até prosseguir para uma segunda tentativa de pouso.

O boletim meteorológico 20 minutos antes do acidente mostrava que o vento estava de lado (través) em relação à pista, com velocidade de 19 nós (35 km/h), mas com rajadas de até 33 nós (61 km/h).

A tripulação foi informada pelo controle de tráfego aéreo apenas sobre os 19 nós de velocidade do vento, não sendo tão detalhista quanto necessário.

Na segunda aproximação, a tripulação seguiu para um pouso chamado de “caranguejo”, ou com a aeronave “caranguejada” no jargão aeronáutico. Este termo se refere aos pousos em que a aeronave se aproxima com o nariz desalinhado com a pista, apontado para o lado de onde vem o vento, para conseguir manter seu deslocamento na trajetória alinhada com a pista. Veja o exemplo no vídeo abaixo:

O nome se remete a como o caranguejo anda: com a “cabeça” virada para uma direção, mas andando em outra direção. Esta técnica, porém, não é recomendada para pousos em pistas secas, segundo o manual da Boeing.

Além disto, como visto no vídeo acima, é necessário que o piloto corrija a direção da aeronave momentos antes do toque do trem de pouso, alinhando o nariz com a pista para permitir que todas as rodas do trem de pouso principal encostem no chão no mesmo momento (ou o mais próximo disso) e alinhadas.

Mas isso não foi feito no pouso do Boeing 737, no qual a tripulação começou a “realinhar” a aeronave quando já estava com o trem de pouso dianteiro tocando o solo com o nariz apontando 6º para a esquerda do centro da pista.

Para complicar a situação, nesta hora o reverso dos motores já tinha sido aplicado pelos pilotos, sendo que o correto seria apenas após o alinhamento.

Tendo o trem de pouso do nariz encostado no solo na direção errada, já era tarde demais para corrigir a direção da aeronave, que acabou saindo fora da pista e se deslocando por 550 metros antes de conseguir retornar parcialmente para a mesma.

Dano no trem de nariz © NBAAI
Dano no motor esquerdo, que encostou no chão após a saída da pista © NBAAI

Na conclusão do relatório de investigação, destacou-se que o comandante tinha 5.600 horas de voo no equipamento, e o primeiro-oficial, que fez o pouso, apenas 175 horas. Mas o ponto principal gira em torno da falta de comunicação entre eles, já que não foi discutido qual seria a técnica utilizada para o pouso e quais os cuidados ao pousar nas condições presentes.

Informações pelo NBAAI

Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagens pela Avianca Brasil e Azul Linhas Aéreas. #GoBroncos #GoBeach #2A

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