O Rei dos Céus Boeing 747 completa hoje 50 anos de seu roll out!

Na data de hoje, 30 de setembro, era apresentada publicamente há 50 anos uma aeronave que se tornaria um ícone da história da aviação.

O Rei dos Céus Boeing 747 – ou “Rainha”, como é conhecido no exterior – vinha a público pela primeira vez (procedimento conhecido como “roll out”) em 1968 com sua aparência imponente. Aparência que até hoje é admirada praticamente de forma unânime, seja por pessoas envolvidas com a aviação ou por leigos.

Avião Jumbo Boeing 747 Roll Out

Roll out do Boeing 747 – Imagem: Boeing




A apresentação foi um pouco como um circo. Segurança na Boeing naqueles dias não era nada como hoje. Curiosos espectadores entraram na multidão de funcionários da Boeing, executivos e representantes de companhias aéreas.

“Deve ter havido milhares ou mais pessoas lá”, lembrou Kelvin “Andy” Anderson, um supervisor aposentado da Boeing.

A estrela do show era um jato novo e brilhante com matrícula N7470, o primeiro avião Boeing 747. Internamente na fábrica, chamado por seu número de série da Boeing, RA001.

O “pai” do projeto, Joe Sutter, liderou uma equipe de 4.500 engenheiros que criaram a primeira aeronave comercial de dois corredores do mundo. Sutter ainda pôde acompanhar a evolução de seu pupilo até 2016, quando faleceu aos 95 anos, certamente muito orgulhoso da posição que o 747 ocupa até hoje na aviação.

Morre aos 95 anos, Joe Sutter, o pai do Boeing 747.

Tão caro era o projeto, que Sutter já havia recebido ordens para demitir 1.000 engenheiros para economizar dinheiro. Mas ele se recusou, exigindo que a Boeing contratasse mais 800. Mais tarde, ele escreveu que estava certo de que Boeing iria demiti-lo por seu desafio. Não só ele manteve seu emprego, mas também conseguiu a mão de obra extra que ele queria.

A aeronave foi lançada com um acordo apenas verbal entre os CEOs da Boeing e da PanAm, em antecipação a um aumento no tráfego de passageiros e aos céus cada vez mais lotados.

Naquele 30 de setembro de 1968, o primeiro Boeing 747 surgiu da fábrica de montagem em Everett, que havia sido especialmente construída no aeroporto Paine Field para abrigar o primeiro jato “Jumbo” do mundo.

Avião Jumbo Boeing 747 Roll Out

Roll out do Boeing 747 – Imagem: Boeing

Com pouco mais de 70 metros de comprimento, a fuselagem do 747 se estendia por dois terços do comprimento de um campo de futebol. Sua envergadura chegava aos quase 60 metros e a altura da cauda passava dos 19 metros, praticamente um prédio de seis andares.

Hoje, a versão mais moderna, o 747-8, passa dos 76 metros de comprimento e 68 metros de envergadura, mantendo os pouco mais de 19 metros de altura.




A “Rainha dos Céus”, como o Boeing 747 veio a ser chamado, saiu do hangar em um dia frio e nublado, segundo relato de Sutter em seu livro de 2006, intitulado “747: Criando o primeiro Jumbo Jet do mundo e outras aventuras de uma vida na aviação.”

Na época, era “duas vezes e meia maior do que qualquer avião em serviço”, escreveu Sutter. E já foi projetado para cumprir duas funções – um avião de passageiros capaz de transportar mais de 400 pessoas e um cargueiro. Isso levou à protuberância distinta na parte de cima da fuselagem.

“Um rebocador de aeronaves puxou-o para fora do hangar…Assim que o nariz impossivelmente alto emergiu, o sol finalmente apareceu…A multidão engasgou audivelmente e começou a aplaudir espontaneamente”, disse Sutter no livro.

Anderson, que havia ingressado na Boeing em 1963 como mecânico de aeronaves, era supervisor da fábrica da Renton em 1967, quando foi designado para o projeto 747, que a empresa havia formalmente lançado em março de 1966. “Quando comecei a trabalhar lá, eles ainda estavam construindo o prédio enquanto estávamos construindo o avião”, disse.

No dia da apresentação, o nariz grande do 747 foi adornado com os emblemas das 26 companhias aéreas que se comprometeram a comprar o projeto. “Os comissários de bordo desses 26 operadores fizeram fila para fotos na frente da RA001”, disse Sutter.

Avião Jumbo Boeing 747 Roll Out

Roll out do Boeing 747 – Imagem: Boeing

Seriam mais quatro meses, no entanto, antes de os motores Pratt & Whitney do 747 experimentarem o primeiro voo de teste, em 9 de fevereiro de 1969. Jack Waddell, então piloto de testes da Boeing, comandou o primeiro voo.

Anderson, lembra-se do voo de teste como se fosse ontem. “Foi impressionante colocar essa coisa no ar”, disse ele. “Quando decolou, era tão grande que parecia que não estava se movendo tão rápido quanto estava, a 150 quilômetros por hora.”

O porão de carga tinha espaço para 3.400 peças de bagagem e poderia ser descarregado em sete minutos, segundo a fabricante de aviões. A área total da asa era maior que uma quadra de basquete, enquanto todo o sistema de navegação global pesava menos que um laptop moderno.

E poucos meses depois, a Boeing cumpria sua promessa de entregar à PanAm até o final de 1969 o primeiro 747 para o serviço comercial de passageiros. Menos de 4 anos após o lançamento do projeto. Hoje, as empresas aeroespaciais passam vários anos projetando e construindo um novo modelo de aeronave.




Para Anderson e muitos outros trabalhadores, o cronograma “impossível” significou muitas horas extras, disse ele. “Eu me lembro de 10 e 12 horas por dia, sete dias por semana.”

Hoje, o 747-8 possui tecnologia da cabine de comando e outros sistemas muito mais avançados. Levando não apenas ao aumento do tempo de projeto, mas também à diminuição da produção.

Avião Boeing 747-8F

Boeing 747-8F, a atual versão cargueira do Jumbo – Imagem: Boeing

Anderson estima que a Boeing produziu um 747 por semana em 1988. Agora, a cadência é de um a cada dois meses. E desde o ano passado, os novos 747 são apenas cargueiros. O último exemplar na versão de passageiros foi entregue à Korean Air em 2017, e por enquanto não há novas encomendas.

Último Boeing 747 de passageiros fabricado já está pronto para entrega à Korean.

Ao longo de toda essa história, o Jumbo evoluiu por seis versões principais, além de diversas variantes civis e militares dentro dessas versões. Foram elas a versão inicial 747-100 e sua versão compacta 747SP, seguidas do 747-200, 747-300, 747-400 e do atual 747-8.

Hoje, o pássaro original, que recebeu o nome de “Cidade de Everett” em homenagem ao local de nascimento, está em exibição no Museu de Voo em Seattle.

Avião Boeing 747-100 Tower Air

Boeing 747-100 da Tower Air




Boeing 747-400 da carga, que ainda é visto regularmente em Viracopos

Avião Boeing 747-8 Lufthansa

Boeing 747-8 da Lufthansa, o único 747-8 da passageiros a operar regularmente no Brasil

https://www.aeroin.net/conheca-historia-jovem-piloto-mineiro-voa-boeing-747-8/

 
Com informações do HeraldNet e da Bloomberg.
 

Murilo Basseto

Formado em Engenharia, foi um dos líderes do Urubus Aerodesign da Unicamp e um dos responsáveis por alçar o grupo à elite mundial da engenharia aeronáutica universitária. Atualmente é Editor-Chefe do AEROIN.