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O dia em que um Boeing 747 acabou destruído ao errar a pista de decolagem

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Acidente Singapore 006 Boeing 747 Taiwan
A cauda do Boeing 747 após o acidente – Imagem: YouTube

A data de hoje, 31 de outubro, marca a lembrança de uma trágica ocorrência do ano 2000, na qual um Boeing 747 acabou destruído após tentar sua decolagem a partir da pista errada.

O voo de número SQ-006 da Singapore Airlines era um serviço regular de passageiros que partiu do Aeroporto Singapore Changi, em Cingapura, para o Aeroporto Internacional de Los Angeles, nos Estados Unidos, com uma escala no Aeroporto Internacional Chiang Kai-shek (hoje Aeroporto Internacional Taoyuan) em Taipei, Taiwan, de onde nunca chegou a sair do chão.

Como tudo aconteceu naquela noite

Eram 23h00 do horário local de Taipei quando o Boeing 747-400 de matrícula 9V-SPK deixou o terminal de passageiros durante forte chuva causada pelo tufão Xangsane. Às 23h05, o controle de solo autorizou a aeronave a taxiar para a pista 05L. Às 23h15, a aeronave foi liberada para decolagem na pista 05L.

O comandante respondeu corretamente que precisava decolar pela 05L, mas virou 215 metros antes do ponto correto e alinhou com a pista 05R – que havia sido fechada para reparos. O aeroporto não estava equipado com ASDE, um radar que permite aos controladores de tráfego aéreo monitorar os movimentos das aeronaves no solo.

Devido à pouca visibilidade na chuva forte, a tripulação de voo não viu que equipamentos de construção, incluindo escavadeiras, rolos vibratórios, guindastes e um compressor de ar, haviam sido estacionados na pista 05R. Além disso, a pista continha barreiras e fossos de concreto.

Às 23h17, quando o Jumbo corria na pista e estava prestes a sair do solo, colidiu com o maquinário e se partiu em três pedaços principais. Um equipamento arrancou a asa esquerda da aeronave. A fuselagem foi rasgada em duas, e os motores e trem de pouso foram separados.

Um grande incêndio tomou parte, destruindo a seção dianteira da fuselagem e as asas. Setenta e nove dos 159 passageiros e quatro dos 20 tripulantes morreram no acidente. Muitos dos mortos estavam sentados na seção intermediária da aeronave, uma vez que o combustível armazenado nas asas explodiu e incinerou aquela seção.

Depois que a campainha de emergência do aeroporto soou, 41 veículos de combate a incêndio, 58 ambulâncias, nove unidades de iluminação e 436 pessoas foram despachados para ajudar os sobreviventes e extinguir o incêndio. Agentes extintores químicos choveram sobre a aeronave cerca de três minutos após o impacto.

Às 23h35, cerca de 10 minutos após o impacto, o fogo foi controlado. Às 00h00, em 1º de novembro, o incêndio foi quase totalmente extinto e a parte frontal da aeronave estava destruída pelas chamas.

Viajantes de 20 diferentes países estavam a bordo, sendo a maior parte deles taiwaneses e norte-americanos. Foi o primeiro acidente fatal envolvendo um Boeing 747-400 e o único acidente fatal envolvendo sua variante de passageiros.

A aeronave acidentada 9V-SPK era pintada com as cores de uma promoção especial da Singapore Airlines, um esquema denominado “Tropical”, na época do acidente. A pintura especial destinava-se a promover os novos produtos da primeira classe e da classe executiva da Singapore Airlines.

Avião Boeing 747-400 Singapore Airlines
O 9V-SPK com a pintura especial – Imagem: Michel Gilliand / GFDL 1.2, via Wikimedia Commons

Após o acidente, a única outra aeronave pintada com a pintura promocional, 9V-SPL, foi imediatamente retirada de serviço e repintada com a cor padrão da Singapore Airlines. Desde então, a única pintura especial que a Singapore Airlines aplica a algumas de suas aeronaves é a da Star Alliance.

Causas definidas pela investigação

Uma investigação sobre o acidente foi conduzida pelo Conselho de Segurança da Aviação (ASC) da República da China. O relatório final foi emitido pelo ASC em 24 de abril de 2002.

Na seção “Constatações Relacionadas a Causas Prováveis” do relatório, que detalhou os fatores que desempenharam um papel importante nas circunstâncias que levaram ao acidente, foi afirmado que, apesar de ter todas as tabelas relevantes a bordo, a tripulação de voo não revisou a rota do taxiamento e, como resultado, não sabia que a aeronave havia entrado na pista errada.

Ao entrar na pista errada, a tripulação de voo negligenciou a verificação do display para-visual (PVD) e do display de voo primário (PFD), o que teria indicado que a aeronave estava alinhada na pista errada.

Segundo o ASC, esses erros, somados à chegada iminente do tufão e às más condições meteorológicas, fizeram com que a tripulação perdesse a consciência situacional e tentasse decolar da pista errada.

Com informações do ASC e de diversas fontes de notícias

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