Boeing 757 já apresentou outra abertura de porta de carga em voo antes

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Neste último final de semana, acompanhamos com certa perplexidade a perigosa ocorrência de uma abertura de porta de carga de um Boeing 757 da companhia aérea DHL em pleno voo, que felizmente acabou em um pouso seguro, mas que poderia ter consequências graves como, por exemplo, o desprendimento da porta e o atingimento de controles de voo na cauda.

No entanto, apesar de o fato ser bastante incomum, já que travas de portas de aeronaves são bastante reforçadas exatamente para evitar um risco como esse, o grave incidente traz à tona a lembrança de outro fato idêntico experimentado por um avião do mesmo modelo alguns anos atrás.

Segundo dados históricos do The Aviation Herald, em 6 de dezembro de 2014 um Boeing 757-200 cargueiro da companhia aérea Yakutia Airlines, registrado sob a matrícula VQ-BPY e realizando o voo de número R3-9990 de Magadan para Yakutsk, ambas na Rússia, estava subindo após a partida de Magadan quando a tripulação interrompeu a subida a 6.500 pés (2.000 metros) devido à abertura da porta de carga dianteira.

A aeronave retornou para o aeroporto de origem para um pouso seguro cerca de 25 minutos após a decolagem, e a porta de carga também permaneceu presa à fuselagem, como no caso do 757 da DHL no último sábado.

O Boeing 757 da Yakutia após o pouso de emergência

Depois do incidente de 2014, a investigação determinou que durante a subida inicial a tripulação percebeu um alerta luminoso sinalizando a abertura da porta de carga, seguida da despressurização da aeronave, retornando a aeronave a Magadan com a porta de carga permanecendo totalmente na posição vertical pelo restante do voo.

Após o pouso, foi encontrado gelo nos atuadores que movimentam as travas que mantém a porta na posição travada. Além disso, gelo e neve comprimida foram encontrados nos interruptores de proximidade do sistema de travamento da porta e as travas foram encontradas realmente abertas.

A agência russa de investigação Rosaviatsia recomendou aos operadores que passassem a assegurar que as fechaduras, atuadores e interruptores de proximidade estejam livres de gelo e neve antes de fechar a porta de carga, em particular em dias de precipitação em baixas temperaturas.

Assim, após o fechamento da porta, o pessoal de solo deve monitorar a extinção da luz que indica que a energia elétrica foi retirada do mecanismo da porta de carga após a conclusão do ciclo de fechamento.

Ainda não se pode definir uma relação entre as duas ocorrências, uma vez que não há qualquer conhecimento sobre o que levou a porta do Boeing 757 da DHL a se abrir. No entanto, o jato partiu de Leipzig, na Alemanha, que se encontra em pleno período de inverno com temperaturas abaixo de zero.

Murilo Bassetohttp://www.aeroin.net
Formado em Engenharia Mecânica e Pós-Graduando em Engenharia de Manutenção Aeronáutica, possui mais de 6 anos de experiência na área controle técnico de manutenção aeronáutica.

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