Boeing 777X perde cone de aferição de dados durante voo

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Imagens Air to Air 777X First Flight
777X – Imagem: Boeing

Um 777X, o novo modelo comercial da Boeing e o maior bimotor já construído na história da aviação, perdeu seu cone de aferição de dados durante ensaio de voo nesta quarta-feira, 13 de maio.

Segundo informação de Matt Cawby, um entusiasta de Everett que acompanha as movimentações dos aviões da fabricante norte-americana, o 777-9 de matrícula N779XW, também designado como WH001 por ser o primeiro 777X produzido, perdeu o dispositivo quando sobrevoava a posição geográfica 47º 59′ 02″N 119º 20′ 06″W.

Segundo Matt, a aeronave perdeu o “trailing cone”, como chamado em inglês, durante um teste de alta velocidade.

Mas afinal, o que é esse cone?

Como a maioria das pessoas nunca viu um cone como este pendurado na cauda dos aviões, se você faz parte dessa maioria, deve estar se perguntando: “Mas o que raios é isso, afinal?”.

Esse cone não é visto frequentemente porque ele é utilizado apenas para aquisição de dados em ensaios de voo de novos aviões ou em voos de aferição de instrumentos. Sua função é coletar informações atmosféricas para definir, por exemplo, a altitude e a velocidade do jato.

Com isso, torna-se possível confrontar o valor aferido pelo cone com o que está sendo apresentado pelo instrumento da aeronave, permitindo a calibração deste.

E para sermos mais precisos, vale destacar que ele não é apenas um cone. Ele é constituído de um duto cilíndrico com o cone preso em seu final. Nesse duto é onde se localizam os dispositivos de aquisição de dados, enquanto o cone tem apenas a função aerodinâmica de manter o duto elevado e estável no fluxo de ar.

Drag Cone
Ilustração de um dispositivo como o usado nas aeronaves

Por que pendurado lá na ponta da cauda?

Se você faz parte da minoria que já viu outras vezes o cone em uso, deve ter notado que praticamente sempre ele é fixado por um cabo na ponta da cauda. Essa posição tem um objetivo claro.

Sempre que um avião voa através do ar, ele causa alterações no fluido ao deslocá-lo para vencer a resistência oferecida. Assim, qualquer posição próxima ou atrás da fuselagem e das superfícies de sustentação, como asas e empenagens, sofre variações de pressão e velocidade do ar, alterando os parâmetros captados pelo dispositivo.

Assim, ao fixá-lo na parte superior da cauda, e com uma certa distância dada pelo comprimento do cabo, garante-se que o fluxo de ar chegue ao conjunto com uma influência desprezível de variações causadas pela aeronave.

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Murilo Bassetohttp://www.aeroin.net
Formado em Engenharia Mecânica e Pós-Graduando em Engenharia de Manutenção Aeronáutica, possui mais de 6 anos de experiência na área controle técnico de manutenção aeronáutica.

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