Boeing 787 presidencial mexicano sai do deserto após quase dois anos estocado

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© Daniel P

Parece que o Governo do México realmente resolveu movimentar o seu avião presidencial ou então achou um novo comprador para seu Boeing 787 Dreamliner. Sim, aquele mesmo que seria rifado entre os mexicanos com sorteio pela Loteria Federal no fim do ano.

Para quem não está totalmente inteirado, se trata de um Dreamliner que fora usado pela Boeing como avião de testes e plataforma de homologação do modelo, tendo saído da linha de produção em 2009.

Em 2014 foi entregue ao México como avião presidencial, para servir o então Presidente Enrique Peña Nieto. De lá para cá o jato foi motivo de intrigas, sendo considerado um gasto desnecessário para um país com tantas demandas sociais e cuja própria Força Aérea tem apenas três caças antigos.

Depois, chegou ao poder Andrés Manuel López Obrador, atual presidente, que tomou posse em dezembro de 2018 e que, desde sua campanha, havia prometido se desfazer do luxuoso jato. Assim que sentou na cadeira da presidência, seu primeiro ato foi enviar o avião para Victorville, no Sul da Califórnia, e colocar o Boeing à venda.

Antes de continuar, um parêntese

A cidade de Victorville abriga um aeroporto que é referência na manutenção e modificação pesada de aeronaves, e por estar em uma área de clima totalmente desértica (Deserto de Mojave) acaba sendo um local ideal para estocar os aviões que não vão voar por um bom tempo, já que a baixa umidade ajuda a conservar seus mecanismos.

Trajetória do voo do jato presidencial © FlightRadar24

Agora, sim, voltando ao 787

Desde então, o que se viram foram inúmeras tentativas frustradas de vender a aeronave VIP e o governo chegou até a apelas para uma rifa pela loteria local. Recentemente, no entanto, houve rumores de que um comprador estaria interessado na aeronave e, no dia 22 julho o jato foi flagrado voando de volta ao México, após sua estadia de dois anos na Califórnia.

Foi o suficiente para os que boatos sobre uma venda crescessem e que a volta seria parte de uma provável preparação para a venda a um, até agora, misterioso comprador.

Segundo Obrador, uma oferta de $120 milhões de dólares foi feita pelo 787 presidencial, um preço que estaria bem abaixo daquele aplicado a um jato novo, que custa em torno de $200 milhões de dólares, mas dentro da média de mercado, já que é possível encontrar Boeings 787-8 produzidos em 2017 por cerca de $122 milhões de dólares em um site de anúncios de aeronaves.

Segundo o portal parceiro Aviacionline, a oferta teria sido feita em abril e seria paga em “dinheiro vivo e equipamento médico”, que ajudaria o México a combater o coronavírus.

Ainda assim, mais detalhes não foram revelados, mas agora parece que, finalmente, algo está acontecendo.

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Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagens pela Avianca Brasil e Azul Linhas Aéreas. #GoBroncos #GoBeach #2A

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