Boeing acelera a desova no mercado dos 737 MAX rejeitados

Durante a pandemia, a Boeing vivenciou uma grande onda de cancelamentos de pedidos de aeronaves, resultado das fracas projeções para o futuro ou da falência das operadoras em meio a uma crise sem precedentes no setor aéreo. Com isso, aeronaves recém-fabricadas acabaram perdendo seu destino e estacionadas no pátio da fabricante, que precisou montar um plano para desová-las em negociações vantajosas a quem aceitasse esses jatos rejeitados.

E parece que a estratégia da Boeing tem surtido efeito, somada a uma recuperação mais rápida do que o esperado nas viagens domésticas em mercados como os Estados Unidos, Reino Unido e partes da Europa e Ásia, reportou o The Wall Street Journal. Segundo o jornal, atualmente a fabricante de aviões com sede em Chicago tem cerca de 10 aeronaves MAX “órfãos” armazenados, buscando compradores, disseram pessoas a par do assunto. Em julho passado, eram quase 100.

As principais companhias aéreas dos Estados Unidos, como United Airlines e Alaska Airlines, estão entre os compradores desses jatos que, no jargão do mercado, são chamados de “white tail” (ou “cauda branca”).

Outros pedidos de jatos “white tail” não foram publicamente declarados, mas os compradores deles certamente se beneficiaram dos custos unitários, já que a Boeing estava oferecendo generosos descontos a quem os quisesse, com o objetivo de entregar num futuro próximo e, com isso, assegurar a entrada de novas receitas.

Em geral, a maior parte do preço de compra de um avião é pago na entrega da aeronave e, pela regra contábil, a fabricante somente pode reconhecer a receita no balanço depois que “a chave” do jato é entregue a seu novo dono. Por isso, a fabricante tem interesse em vendê-los logo e não perder mais dinheiro.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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