Boeing terá de pagar bilhões de dólares pelo treinamento de pilotos no simulador do 737 MAX

Em meio a crise do 737 MAX na Boeing, a fabricante deverá despender bilhões para cobrir os custos de treinamento dos pilotos no simulador do jato. A re-certificação de pilotos era um dos itens prioritários que a Boeing desejava eliminar junto à FAA, como parte dos esforços de corte de custos do projeto.

Simulador 737 MAX
Antigo CEO da Boeing, Dennis Muilenberg, a bordo do simulador do 737 MAX

A informação foi divulgada pela Bloomberg e aponta para uma cifra de US$5,6 bilhões de dólares (R$22 bi) para reembolsar as companhias aéreas com os custos de treinamento no simulador do novo jato.

O motivo deste custo a mais é simples: a Boeing teria se comprometido a compensar as companhias aéreas com a paralisia do jato e, principalmente, segundo o manual da aeronave, o cronograma de treinamento inicial dos pilotos não exigiam voos, sejam nos simuladores ou voos reais, já que o MAX seria “parecido demais” com o NG, então bastaria um curto treinamento teórico.

Tanto é que apenas a panamenha Copa Airlines obrigou seus pilotos a fazerem o treinamento no simulador antes que pilotassem o MAX. Já a Ethiopian Airlines também fez essa escolha, mas apenas em janeiro de 2019, seis meses após receber o primeiro avião e dois meses antes do seu trágico acidente.

Um passo atrás necessário

Agora, a Boeing teve de voltar atrás e, juntamente com a FAA, tomou a decisão de exigir o treinamento no simulador para pilotos que já voam o 737 Next Generation e irão pilotar o MAX.

Ainda não está claro qual será o cronograma exigido para treinamento no simulador, mas são esperados mais atrasos para a reentrada em serviço do 737 MAX. Hoje, apenas a CAE possui o simulador operacional em duas unidades, na Etiópia e no Canadá, bem abaixo do suficiente para atender a demanda que irá surgir.

Vale lembrar que a brasileira ANAC chegou a afirmar que “exigiu treinamento” a mais que as estrangeiras para o 737 MAX, mas nunca detalhou o que foi pedido a mais. Pilotos da GOL informaram ao AEROIN no ano passado que o treinamento foi apenas a distância (EAD) e nada mais que o exigido pela Boeing, contradizendo a ANAC.

Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagens pela Avianca Brasil e Azul Linhas Aéreas. #GoBroncos #GoBeach #2A

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