Boeing pode estar se preparando para encerrar a produção do 747

Avião Jumbo Boeing 747 Roll Out
Roll out do Boeing 747 – Imagem: Boeing

O icônico Boeing 747, o eterno Jumbo, também conhecido como a “Rainha dos Céus”, parece ter chegado a um momento crucial de sua vida, uma vez que a fábrica que fornece as fuselagens para o modelo está se preparando para fechar suas portas.

Estamos falando da Triumph Aerostructures, subsidiária do Triumph Group, e um dos maiores fornecedores da Boeing, que declarou ao mercado seu plano de encerrar as operações em sua fábrica no sul da Califórnia até 6 de dezembro e também de sua fábrica de Dallas, que fornece seções da cauda do jumbo, no próximo ano, deixando com a Boeing uma escolha difícil de se fazer.

O começo do fim?

A informações sobre o fechamento da fábrica do Triumph Group no sul da Califórnia foi dada pela Bloomberg, tendo um leilão já sido realizado nessa semana para liberar algumas de seu maquinário.

O Triumph Group produziu todas as fuselagens para as aeronaves 747 da Boeing desde o lançamento do modelo em 1970. De fato, a produção em Hawthorne começou em 1966, depois que a Pan American World Airways fez o primeiro pedido do jumbo.

De acordo com um comunicado de imprensa, a Triumph Aerostructures está fechando duas de suas instalações, uma em Hawthorne e outra em Torrance, Califórnia. Está liquidando seus ativos de ambos os sites através de vários leilões on-line, o primeiro dos quais ocorreu na última quarta-feira, 20. O primeiro leilão incluiu a venda de mais de 200 lotes, variando de empilhadeiras a centros de usinagem e materiais de MRO.

No leilão há de tudo, desde fitas por apenas US$ 5 a uma prensa automática usada para perfurar rebites em seções curvas da fuselagem, cujos lances começam em US$ 100.000, de acordo com o RAAR Group USA Inc, que está lidando com a venda.

O fim do 747

O Boeing 747 já foi visto como o auge da aviação. Sua enorme capacidade de passageiros, enorme alcance e aparência icônica o tornaram o favorito entre passageiros e companhias aéreas nos anos 80 e 90. No entanto, os avanços tecnológicos modernos e uma mudança nas estratégias de rede das empresas aéreas deixaram o 747 numa situação de falta de encomendas.

Anteriormente, a Boeing procurava no setor de cargas manter as vendas do 747. O boom das vendas on-line ajudou a aumentar os pedidos do jumbo cargueiro nos últimos anos, com um pedido de 14 Boeing 747-8F pela UPS em 2018, o que foi visto como a salvação para a produção no médio prazo. No entanto, a guerra comercial EUA-China diminuiu o apetite por frete internacional, e nenhuma nova venda do tipo foi registrada em 2019.

No momento, apenas 18 pedidos permanecem na lista de pendências. Devido à lenta produção do 747, isso equivale a mais dois anos de produção. Assim, aparentemente, a Triumph está trabalhando com antecedência, na tentativa de atender a todos os pedidos pendentes antes do fechamento da fábrica no próximo mês.

O jumbo ajudou a abrir as viagens internacionais para o mercado consumidor de massa quando foi lançado em 1970, mas os jatos de quatro motores caíram em desuso quando as companhias aéreas mudaram para modelos bimotores mais eficientes, como o Boeing 777 e o A350 da Airbus. Hoje, a versão cargueira tem maior apelo devido a capacidade de carga e o “nariz” articulado, que se move para cima para permitir que os transportadores carreguem as cargas volumosas como equipamentos de perfuração de petróleo.

A Boeing poderia manter viva a produção?

Seria necessário muito esforço e investimento para manter viva a produção do 747, uma vez que a Triumph fecha suas portas para sempre. Obviamente, a Boeing tem a opção de levar a produção internamente, mas para uma estrutura tão grande com uma demanda tão pequena, os custos certamente podem superar os benefícios.

Stephen Perry, um banqueiro de investimentos especializado em acordos aeroespaciais e de defesa disse à Bloomberg que a Boeing ainda pode sonhar com a continuidade do programa. Saudosista, ele lembra do 767, que quase teve sua produção encerrada, quando viu uma recuperação milagrosa como cargueiro, graças em parte a um grande contrato militar e vendas à UPS e FedEx.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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