Boeing pode se juntar à Antonov para construção de grandes aviões cargueiros

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Avião Antonov An-124 Volga
Antonov AN-124

Boeing e Antonov podem estar se aproximando para atuarem conjuntamente na construção de grandes aeronaves cargueiras, que virão a substituir os Antonov 124 num futuro não tão distante, na medida em que esses envelhecem.

Enquanto isso, no lado americano

Segundo reporta o Cargo Forwarder, as fabricantes americana e ucraniana já têm uma parceria de alguns anos, focada especialmente em aspectos logísticos e de suprimentos que, naturalmente, gera benefícios mútuos.

No lado americano, muitos de vocês já devem ter visto fotos de grandes aeronaves Antonov pousadas ou descarregando nos aeroportos da região de Seatlle, onde a Boeing possui linhas de montagem.

Esses voos cargueiros são destinados ao transporte de peças de grande volume que podem ser mais facilmente levadas nos Antonov 124, dada a sua grande porta de carga na traseira da aeronave. Além disso, é uma aeronave que complementa a frota própria da Boeing e tem sido empregada no transporte de motores para as plantas da fabricante americana.

No entanto, o Antonov 124 está envelhecendo e, como tudo na aviação leva um tempo para se concretizar, talvez esteja chegando o momento da Boeing pensar numa alternativa para manter sua cadeia de suprimentos futura tal qual ela foi estruturada.

Nesse cenário, uma parceria com a Antonov parece fazer sentido. Além disso, existem nichos no mercado de carga aérea global que somente podem ser atendidos pelas aeronaves da Antonov. E isso deverá continuar existindo por muito tempo.

Interesse ucraniano

O interesse é mútuo. Do outro lado da mesa, a Antonov também identifica a mesma oportunidade de mercado para reinício da construção do AN-124 ou, quem sabe, a criação de uma nova aeronave. Tal interesse já havia sido expressado em 2019.

Além disso, um ano antes, a fabricante ucraniana encontrou na Boeing uma alternativa para realizar seu desejo de acabar com a dependência da Rússia no fornecimento de peças para seus modelos de aeronave, incluindo o AN-124. Naquele momento, 60% das peças para a montagem ou manutenção vinham de empresas russas.

Um acordo foi então fechado com a Aviall, unidade de peças, equipamentos e serviços da Boeing. Juntas, Antonov e Boeing instalaram centros de armazenamento de peças para, rapidamente, fornecer produtos, materiais, metais e não-metais de primeira necessidade para os ucranianos.

Juntando os pontos

A existência de um diálogo mais forte entre as empresas foi trazida à tona na semana passada pelo jornal russo Riafan.

Segundo o relato do jornal, o embaixador ucraniano nos Estados Unidos, Volodymyr Yelchenko, teria dito em entrevista que a fabricante americana poderia estar interessada numa “participação no parceiro ucraniano, mesmo parcial, para investir em programas de construção”, a ser realizada na Ucrânia ou nos EUA.

Não apenas isso, de acordo com o diplomata, a Boeing também consideraria a produção de grandes cargueiros em colaboração com a Antonov, em especial os meios dedicados ao transporte de cargas excepcionais, pesadas ou de longa distância (uma das especialidades da fabricante ucraniana), também ventilando a possibilidade de criação de uma joint venture entre as duas empresas.

No fim do dia, tudo isso são ideias que fazem sentido, mas que teremos que aguardar as “cenas dos próximos capítulos” para ter uma ideia mais clara do que realmente pode vir por aí.

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Carlos Ferreira

É profissional de marketing e pesquisador de temas relacionados à aviação há quase duas décadas. Leva a câmera fotográfica para onde vai e faz mais fotos de aviões do que dos passeios. Responsável pela linha editorial da revista eletrônica AEROIN.net.

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