Boeing pode ter que refazer o cabeamento elétrico de 800 aviões 737 MAX para evitar curtos-circuitos

Um ano após a parada global do Boeing 737 MAX, os reguladores dos EUA indicam que estão prontos para exigir que o cabeamento elétrico seja realocado dentro dos aviões. Essa é a mais recente complicação que pode atrasar ainda mais o retorno do modelo ao serviço comercial, já que há cerca de 800 aviões do modelo já produzidos.

MAX

Segundo informações do Wall Street Journal, a decisão preliminar abrange todos os quase 800 aviões MAX produzidos até agora – contando os que foram entregues e os que estão no pátio da Boeing. A decisão, no entanto, pode mudar, dependendo de dados adicionais que a fabricante ainda pode enviar ao regulador.

O que acontece com o MAX?

A Federal Aviation Administration (FAA) concluiu que o layout do cabeamento elétrico dentro do avião é potencialmente perigoso e viola os padrões de segurança de fiação destinados a evitar curtos-circuitos. Sob circunstâncias extremas, falhas podem fazer com que os sistemas de controle de voo falhem e possam levar a acidentes.

A fabricante de aviões argumenta que o atual projeto de cabeamento atende aos padrões internacionais de segurança da FAA. A Boeing também disse que, como os riscos de curto-circuitos são muito remotos, não é necessário redesenhar a fiação.

A visão das agências, no entanto, baseia-se em regulamentações de longa data adotadas após incêndios e explosões de tanques de combustível em jatos comerciais ao longo de décadas. E, honestamente, a FAA dificilmente abrirá mão de algo que acredita nessa altura do campeonato.

As mudanças obrigatórias na fiação podem atrasar o cronograma de reentrada em serviço das aeronaves, que já estão paradas há um ano. Esse novo. Tal cenário configura-se em mais desafio a ser trapassado pelo novo CEO da empresa, Dave Calhoun,. que tem mostrado uma abordagem mais realista e conciliatória em relação às demandas de segurança da FAA.

A FAA disse no domingo, em comunicado, que continua a se envolver com a Boeing na questão do cabeamento e o MAX retornará ao serviço somente depois que a FAA estiver convencida de que todas as questões relacionadas à segurança foram resolvidas.

Um porta-voz da Boeing disse que as discussões com a FAA continuam, mas, independentemente do resultado, a estimativa da empresa para um retorno ao serviço no meio do ano permanece inalterada.

Carlos Ferreira

É profissional de marketing e pesquisador de temas relacionados à aviação há quase duas décadas. Leva a câmera fotográfica para onde vai e faz mais fotos de aviões do que dos passeios. Responsável pela linha editorial da revista eletrônica AEROIN.net.

Comentários estão fechados.