Após acidente, Boeing planeja update de software no 737 MAX

A Boeing está analisando fazer uma atualização no software do 737 MAX dentro de seis ou oito semanas para ajudar os pilotos a identificar cenários similares ao da queda do MAX 8 da Lion Air no último mês.




Segundo pessoas ligadas à investigação revelaram à Reuters, a fabricante americana estaria desenvolvendo algo no sentido de alertar os pilotos sobre a atuação do MCAS – Maneuvering Characteristics Augmentation System, em português Sistema de Aumento das Caraterísticas de Manobra.

A atuação desse sistema se sobrepõe ao controle dos pilotos em algumas condições de voo, e caso este sistema seja alimentado com dados errados pode causar uma briga entre a aeronave e o piloto de maneira similar ao que aconteceu com o 737 MAX da Lion Air.

O relatório preliminar da agência de segurança da aviação da Indonésia apontou o conflito entre os pilotos e aeronave logo após a decolagem. O perfil vertical do Boeing indicava uma verdadeira montanha russa, com o MCAS comandando o avião para baixo e os pilotos para cima de maneira alternada.

Os pilotos da Lion Air teriam dado comandos inversos ao do MCAS pelo menos 24 vezes antes da queda que vitimou todas as 189 pessoas a bordo.




Segundo as fontes da Reuters, a Boeing também está examinando um pequeno “reparo” no software. A fabricante recebeu críticas por parte dos pilotos de aéreas dos EUA por não terem sido informados sobre o novo sistema, assim como também os pilotos da Lion Air e de todas as outras operadoras não foram informados, já que o manual oficial da Boeing não cita o MCAS.

No caso da atualização do software, a modificação seria feita para bloquear a ação do MCAS de comandar a aeronave de maneira contínua para baixo até atingir o limite de inclinação negativa do nariz. Para cancelar o bloqueia, seria necessário que a tripulação agisse no sentido contrário, mexendo no compensador ou movimentando o manche na direção oposta.

Imagem: Paul Weatherman photo (PRNewsfoto/Boeing).

“Quando a tripulação faz algum desses ajustes, isso desabilitaria o MCAS até que uma nova informação de estol chegar ao sistema”, declarou uma das fontes. A falta de importância dada ao sistema no início seria o a remota possibilidade do cenário que ele entraria em ação, o que traz também o fato que esse sistema só é alimentado por um dos dois senhores de ângulo de ataque.

Agora porém a Boeing estaria analisando se irá modificar o sistema para obter dados dos dois sensores de ângulo de ataque. A fabricante americana se negou a comentar o assunto e afirmou que está colaborando com a investigação, enquanto faz recomendações para os operadores além de avaliar futuras atualizações no 737 MAX.




MAX no Brasil

Semanas atrás a ANAC afirmou à Reuters que já exigia o treinamento sobre o MCAS. Fato que foi desmentido por três pilotos brasileiros do 737 MAX consultados pelo AeroIN. Um deles inclusive ficou sabendo do sistema após nossa matéria e falou que a aérea na qual ele trabalha “apenas fez o curso de transição do NG para o MAX por uma aula online (EAD) sem prática de simulador e que não engloba o MCAS, seguindo o manual da Boeing.”

Outro fato que vai ao encontro da informação passada pelas fontes ao AeroIN é de que a GOL, única operadora brasileira do modelo, lançou um boletim interno nomeado de SPEED com informações sobre o MCAS. Tivemos acesso ao boletim na íntegra após ampla divulgação do mesmo pelo WhatsApp, e em respeito às diretrizes internas da empresa não iremos publicá-lo. Mas basicamente o documento apresenta informações dos alertas que a FAA e a Boeing divulgaram após o acidente.

Com informações da Reuters.




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