Boeings 737 MAX começam a ser ‘groundeados’ após acidente

Após o fatídico acidente na manhã deste domingo envolvendo um Boeing 737 MAX 8 da Ethiopian Airlines que vitimou 157 pessoas, outros operadores do jato da Boeing já decidiram suspender os voos.

O receio tem um fundamento anterior: o acidente da Lion Air tem características semelhantes ao de hoje com a Ethiopian.

A primeira notícia de paralisar os aviões saiu na imprensa chinesa na noite deste domingo. O governo chinês teria recomendado as companhias aéreas a suspenderem imediatamente os voos com o 737 MAX.

A medida foi adotada por todas as operadoras no país: a Air China, China Eastern Airlines, Shandong Airlines, XiamenAir e a 9 Air. Ao total seriam 36 aviões 737 MAX 8 de matrícula chinesa que não estão mais voando.

Logo após a Cayman Airways tomou a mesma decisão, que segundo o seu CEO, Fabian Whorms, “Apesar da causa desta perda trágica ainda não ter sido determinada, nós ficamos ao lado da nossa comunidade ao colocar a segurança dos nossos passageiros e tripulantes como prioridade mantendo as operações sem dúvidas sobre a sua segurança, e para isso, decidimos que iremos suspender a operação dos dois nossos novos Boeings 737 MAX 8 a partir de amanhã (11), até que novas informações surjam.”

Reportes apontaram que a brasileira GOL Linhas Aéreas, que possui sete 737 MAX 8 em sua frota, também teria suspendido os voos. Porém fontes consultadas pelo AeroIN dentro da empresa afirmaram que nenhuma decisão foi tomada ainda. Rumores apontam que amanhã a brasileira irá se reunir com a Boeing para discutir o tema e tomar uma decisão. A ANAC novamente não se posicionou.

A Boeing por sua vez emitiu comunicado oficial lamentando o ocorrido, prestando condolências às famílias e também informando que um time de técnicos está indo para a Etiópia para ajudar nas investigações. A empresa também informou que suspendeu por tempo indeterminado o roll-out do 777X que estava previsto para esta quarta-feira, dia 13.

O famigerado sistema MCAS volta ao centro das notícias

No acidente da Lion Air meses atrás os investigadores determinaram que ocorreu uma pane no sensor de ângulo de ataque (AOA) que passou dados errados ao computador de voo, que interpretou uma situação de estol e comandou o nariz da aeronave para baixo através do comando dos compensadores.

Dados do FlightRadar24 e das caixas pretas apontaram que os pilotos “brigaram” contra a aeronave e seu sistema por 12 minutos antes do impacto no mar, fazendo uma espécie de montanha-russa com subidas e descidas acentuadas.

E no caso de hoje, novamente dados do FlightRadar apontaram para uma “briga”: apesar da altitude e velocidades quase constantes, a aeronave passou por diversas variações de velocidade vertical. Os dados pararam de ser captados quando a aeronave saiu fora da área de cobertura. A Ethiopian afirmou que o piloto declarou emergência e que iria retornar ao aeroporto de Adis Abeba.

Atualização de software atrasada

Em novembro do ano passado reportamos aqui que a Boeing estaria planejando uma atualização no software para dar maior controle aos pilotos sobre a aeronave e evitar qualquer ocorrência de voo não controlado relacionado ao MCAS.

Porém, há menos de um mês fontes dentro da Boeing afirmaram que a atualização estava bem atrasada devido a limitações de engenharia e disputa sobre quão “profunda” deveria ser essa atualização.

Do acidente da Lion Air até hoje nenhuma atualização foi feita. Porém diversas aéreas fizeram treinamentos adicionais com seus pilotos logo após alguns reportarem que não tinham conhecimento do sistema.

Com informações da Airways Magazine