Bradesco aposta na compra da LATAM Brasil pela AZUL

O Bradesco, o segundo maior banco privado do Brasil, afirmou em relatório emitido nesta semana que considera como “o cenário mais provável” a compra da Latam Brasil por sua rival Azul Linhas Aéreas. O banco vê um processo de fusão improvável, no entanto. As empresas negam.

No relatório, o Bradesco afirmou que uma fusão do grupo Latam com a Azul parece improvável, porque implicaria um acordo entre os acionistas controladores das empresas: a família chilena Cueto e o empresário David Neeleman. Além disso, a Azul teria que entrar no processo de reestruturação da Latam nos Estados Unidos, o que seria algo de probabilidade remota.

Outro fator contrário seria um potencial de conflito de interesses, já que as companhias aéreas americanas Delta (que detém 20% da Latam) e United (que possui cerca de 10% na Azul) teriam posições no conselho da empresa que resultaram dessa fusão, dificultando as negociações e resultando em restrições das autoridades antitruste dos EUA.

Para o Bradesco, a solução seria vender a operação brasileira para a Azul. O Bradesco falou de uma transação de cerca de US$ 1,9 bilhão com uma emissão de ações da Azul para incorporar a Latam Brasil. O documento vê como vantagens econômicas o fato de os contratos de arrendamento de aeronaves da Latam Brasil serem feitos no Chile, o que daria “flexibilidade para ajustar o tamanho da frota e reduzir a alavancagem no Brasil”. Se isso acontecer, a Azul teria 62% do mercado doméstico.

Outras projeções do Bradesco

No mundo da aviação, qualquer previsão pode se frustrar em vista ao cenário altamente volátil. Isso é parte do jogo e os elementos que estão na mesa no momento da análise são os que valem.

Um fato curioso e que corrobora com isso é que, no ano passado, os especialistas do Bradesco haviam afirmado que a Azul compraria a Passaredo em vistas a obter os slots em Congonhas, mas a ideia passou longe da realidade e, apenas uma semana após os banqueiros emitirem sua opinião, a Passaredo anunciou a compra da MAP, virou VOEPASS e assegurou vários contratos de parceria com a GOL.

E olha que naquela época ninguém ainda sonhava com a pandemia e com essa mudança brusca no mercado aéreo.

Carlos Roman
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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