Breeze Airways enfrenta primeira briga com sindicato por alegada discriminação de idade

O maior sindicato de comissários de bordo dos Estados Unidos, com mais de 50.000 sindicalizados prometeu impedir a nova companhia aérea do empresário David Neeleman de empregar estudantes universitários, que também trabalham em meio período, como comissários de bordo em um contrato de quatro anos.

A Association of Flight Attendants (AFA-CWA) comparou o estilo de trabalho como semelhante a motoristas de Uber e Instacart: “Superficialmente, você também pode entender que a maioria das pessoas que se qualificam para esse estilo de vida são jovens, com uma data de validade quando deixam de cumprir os requisitos de juventude. Do ponto de vista de um sindicato, isso é discriminação de idade pura e simples. Este conceito deve ser visto pelo que é, um ataque direto à nossa profissão e carreiras”. 

A Breeze Airways está recrutando ativamente comissários de bordo por meio de uma parceria com a Utah Valley University antes do lançamento da companhia aérea ainda este ano. Os alunos que se inscreverem no programa poderão participar de um dos cursos online da universidade enquanto também trabalham meio período como comissário de bordo na Breeze Airways. Os alunos devem se inscrever da mesma forma que fariam para qualquer outro emprego.

A Breeze Airways está oferecendo aos candidatos US$ 6.000 em subsídios de apoio educacional por ano, um salário fixo de US$ 1.200 por mês, alojamento compartilhado corporativo e um voo gratuito de volta para casa por mês. Efetivamente, os alunos só podem trabalhar como comissários de bordo enquanto estiverem matriculados no curso. A Breeze também oferece um contrato de meio período para candidatos que não querem estudar, mas é oferecido por um período fixo de quatro anos.

A AFA estima que a maioria dos comissários de bordo juniores da United Airlines, por exemplo, recebe uma diária cerca de 48% mais alta do que os comissários de bordo da Breeze receberão ao longo de toda a sua carreira na companhia aérea.

Sara Nelson, a presidente da AFA, acredita que Breeze está “abusando” dos subsídios federais a fim de manter seus custos trabalhistas o mais baixo possível. “Vamos trabalhar duro para garantir que isso não decole”, disse ela à Forbes.

Neeleman, no entanto, acredita que os comissários de bordo não melhoram muito com os anos de experiência e que o atual sistema de antiguidade em vigor em outras companhias aéreas prende os funcionários. Ele se recusou a comentar à Forbes se o estilo de trabalho de Breeze ajudará a companhia aérea a economizar dinheiro.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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