Breeze Airways oferece salário abaixo do mercado para pilotos e gera revolta

A Breeze Airways, mais nova empreitada de David Neeleman, já está contratando, mas o salário não agradou a muitas pessoas, estando inclusive abaixo do mínimo de muitos estados americanos.

Para entender a confusão, é primeiro necessário saber como funciona o sistema de salário nos EUA como um todo: eles são definidos por estado desde que não fique abaixo do $7,25 dólares por hora definidos pelo governo federal. Além disso, as cidades e condados podem ter seus próprios mínimos, acima do que é definido a nível estadual e federal. E sempre é definido por hora e, para efeitos comparativos, as pessoas fazem o cálculo de ganhos anuais.

Os pilotos, devido às suas longas e caras formações, naturalmente têm um salário acima da média da população em geral, embora isso não signifique que seja um valor estratosférico, muito pelo contrário. Eles, assim como os comissários, são pagos por tempo voado, não o tempo em que estão à disposição da empresa.

E aí que entra a equação: a Breeze oferece um salário de $55 dólares por hora, muito acima de qualquer salário mínimo em qualquer lugar dos EUA. Porém, o piloto tem garantido por mês o mínimo de 55 horas de voo, algo que uma pessoa em um trabalho “comum” atinge em uma semana e meia.

Com isso, o salário anual dos pilotos vai para $36.300 dólares caso o tripulante seja um co-piloto com menos de seis anos de experiência nos Embraer E-Jets, principalmente o E195, que é o primeiro avião que a companhia irá operar.

Este salário está um pouco acima do que as regionais pagam, como a SkyWest ($45), a Piedmont ($50) e a Envoy ($50). Porém essas empresas têm muitos benefícios (associados à grandes aéreas como a American e United), plano de saúde e também oferecem facilmente um bônus de $18 mil dólares após a conclusão do treinamento. E principalmente: voam aeronaves menores.

Os maiores jatos das regionais são o Bombardier CRJ-900 e o Embraer E175, que levam de 40 a 50 pessoas a menos que o E195 da Breeze.

Foi aí que a revolta surgiu na internet, e um ponto foi ressaltado pelo jornalista aeronáutico Jason Rabinowitz, que notou que o salário mínimo anual na Breeze é menor que o mínimo pago na Califórnia.

Vale destacar que a Califórnia é o estado com custo de vida mais alto dos EUA, bem diferente do remoto Utah, onde a Breeze é baseada. Mas, mesmo assim, chama a atenção que uma empresa não-regional, que não terceiriza os tripulantes e a operação, esteja pagando tão pouco só porque o piloto não voou antes no Embraer.

Não seria a primeira vez que uma empresa de Neeleman oferece salários abaixo da média do mercado. O mesmo acontece na brasileira Azul, mas que sempre compensou com bons benefícios e possibilidade de crescimento mais rápido. Esse mesmo tema, no entanto, gerou protestos no ano passado.

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Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A

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