British Airways registrou 536 casos de fumaça a bordo em 12 meses

No dia 23 de setembro de 2019, o A320 de matrícula G-EUYB , da British Airways, com 145 pessoas a bordo vindo de Zurique, na Suíça, precisou fazer um pouso de emergência no Aeroporto de Heathrow, em Londres, após os pilotos sentirem um cheiro forte de “esterco” e “meias sujas” na cabine de comando. O piloto passou mal e foi levado ao hospital após o pouso, e o relato entrou para uma lista de 536 eventos de fumaça ou odores desconhecidos relatados pela British Airways em 2019.

Não é exagero

Os dados fazem parte de um relatório da Agência de Investigação de Acidentes Aéreos do Reino Unido (AAIB, na sigla em inglês). Segundo o documento, nos últimos cinco anos, foram 3.166 relatos de fumaça, cheiros ou vapores estranhos relatados pela aviação inglesa. Apenas em 2019, foram 674 reportes, dos quais 536 comunicados pela British Airways.

Outro ponto curioso destacado pelo relatório é que, entre todas as ocorrências da British Airways, 398 (74%) foram relatadas em aeronaves A320. Em quase todas as ocorrências relatadas no relatório da AAIB, a tripulação descreveu a presença de “cheiros de fazenda” a bordo, como excrementos de animais, especialmente nos períodos logo após a decolagem e no início das operações de pouso.

Apesar da alta frequência de situações do tipo na Inglaterra, casos de danos à saúde dos passageiros por problemas no ar das aeronaves são muito raros. No entanto, as entidades envolvidas na investigação ainda não chegaram a uma conclusão sobre a origem dos problemas, embora todos neguem que se trata de motivo para preocupação.

O que diz a BA

Em declaração ao portal Paddle Your On Kinddle, a British Airways informou que uma pesquisa encomendada em 2017 pela Agência Europeia de Segurança da Aviação (EASA) concluiu que “a qualidade do ar a bordo das aeronaves era semelhante ou melhor do que a observada em outros ambientes internos”.

Um porta-voz da companhia disse ao site que a British nunca operaria uma aeronave que representasse risco à saúde de passageiros ou tripulantes. “São realizadas 151 aferições de engenharia antes que uma aeronave seja liberada para voar”, disse a empresa, em nota. No caso do voo de Zurique, a companhia informou que realizou um extenso conjunto de testes, mas a causa do cheiro não foi encontrada. A aeronave foi liberada para voo sem uma explicação para o incidente.

De cultura forte, a companhia ressalta que incentiva a equipe a relatar toda e qualquer preocupação que tenham e estas, por sua vez, são repassadas aos reguladores da aviação. “Eventos de vapores ou odores estranhos são causados ​​por uma ampla possibilidade de problemas, incluindo comida queimada no forno, cigarros eletrônicos, alimentos com cheiro forte em sacos de viagem, fluido de descongelamento, entre outros”, conclui.

Airbus conclamada

Segundo o jornal britânico Daily Mail, a Airbus informou que tomou medidas para tentar reduzir o número de eventos, por meio da introdução de novos procedimentos de manutenção desenvolvidos para identificar a origem dos gases, mudanças nos procedimentos operacionais da tripulação de voo e modificações potenciais para melhorar a recirculação do ar da cabine.

O Bureau Federal Alemão de Investigação de Acidentes de Aeronaves (BFU, na sigla em alemão) realizou um estudo de segurança que se concentrou nos potenciais prejuízos à saúde de tais ocorrências e, apesar da riqueza de dados e evidências disponíveis, uma causa física comum desses eventos não pôde ser identificada de maneira conclusiva.

Fabio Farias
Jornalista e curioso por natureza. Passou um terço da vida entre aeroportos e aviões. Segue a aviação e é seguido por ela.

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