British teria espremido demais o interior do A350-1000, impossibilitando voos longos

A British Airways (BA) recebeu recentemente as novas aeronaves Airbus A350-1000, inaugurando uma nova era de assentos em todas as classes. Na maioria dos voos, o avião foi extremamente bem recebido, mas um fato menos conhecido é que todo o potencial da aeronave teria sido afetado por uma modificação escolhida exclusivamente pela BA.

Airbus A350-1000 British Airways
A350-1000 da British Airways – Imagem: Airbus

Quem levantou os detalhes sobre a situação foi Gilbert Ott, um aventureiro especialista em viagens pelo mundo, com muitos contatos nos bastidores das operações aéreas.

O viajante reportou em seu portal que a British Airways optou por limitar o tamanho das “galleys”, as áreas de armazenamento de refeições, mas que a redução teria sido excessiva. Como resultado, os A350 teriam ficado com um espaço menor do que o normalmente necessário para voos longos que exijam um segundo serviço de bordo em grande escala.

Coincidentemente, a BA tirou recentemente o A350-1000 da programação da rota para Tóquio, na qual o modelo estrearia no verão europeu deste ano, embora não haja uma confirmação oficial se o motivo estaria associado à questão das galleys. Passageiros que voariam no -1000 receberam aviso de que os voos serão no Boeing 777 ou 787.

Segundo Gilbert, várias fontes afirmaram que a configuração do BA é tão apertada para o serviço que quase não há lugar para colocar…qualquer coisa, mesmo para o caso de uma única refeição de rotas não tão longas.

Ao conversar com vários outros operadores do Airbus A350-1000, ele verificou que a British Airways parece ser a única companhia aérea a abrir mão desse espaço essencial de serviço de refeições em favor de áreas adicionais para colocar passageiros extras.

Motivações

A explicação seriam os rumores de que a British Airways talvez estivesse esperando, quando fez a encomenda, que outras companhias aéreas continuassem a tendência de reduzir o serviço de refeições nas cabines, mas essa tendência teria se revertido nos últimos anos.

A companhia aérea afirma que o avião tem espaço suficiente para realizar um segundo serviço de refeições, mas aqueles com conhecimento mais íntimo dos elementos de serviço e dos eventos reais no ar tendem a discordar completamente.

Adicionalmente, a British Airways espera a entrega iminente de sua primeira aeronave Boeing 787-10, que será programada para rotas de longo curso, o que também poderia justificar a remoção do A350 dos voos de Tóquio, bem como a limitação do Airbus a voos não tão longos.

Mas limitar as incríveis capacidades de um avião novinho em folha parece muito estranho, mesmo se esse fosse potencialmente o caso de ter mais expectativas de utilizá-lo em um nicho específico.

Resposta da British

Avião Airbus A350-1000 British Airways

Após Gilbert publicar suas informações sobre os rumores dos bastidores, a British Airways respondeu.

Segundo ele, o artigo irritou algumas pessoas, para dizer o mínimo. Mas o conhecimento interno que ele tem sobre o assunto foi corroborado por muitos outros dentro da British Airways.

A BA enviou a Gilbert um e-mail para negar categoricamente os comentários, e emitiu declarações para outros meios de comunicação dizendo que o artigo do viajante era simplesmente falso:

Isto não é verdade. Nosso A350 tem espaço suficiente para acomodar o serviço de qualquer um dos nossos voos e já voou para Dubai, Toronto, Tel Aviv e Bangalore, com mais rotas planejadas.”

Gilbert refuta

Gilbert concorda que a companhia aérea voou para Dubai, Toronto, Tel Aviv e Bangalore com o A350, mas destaca que essa é uma informação quase totalmente inútil para oferecer a quem realmente sabe como as refeições são servidas na BA, exceto no caso de Bangalore.

Nenhuma das outras rotas recebe o serviço de refeição dupla de longo curso, para o qual o A350 parece não ter espaço suficiente. Pior ainda, Bangalore também não é uma boa referência a ser incluída em sua refutação.

E Gilbert explica o porquê: Bangalore é o único serviço de refeição quente dupla para o qual o A350 opera atualmente, e a companhia aérea precisou remover sorvete e outros itens padrão para abrir espaço para a segunda refeição. Ele termina questionando: “É adequado se algo precisar ser removido? O problema está causando o caos no World Traveler Plus (a classe econômica premium da BA).”

Murilo Basseto

Formado em Engenharia, foi um dos líderes do Urubus Aerodesign da Unicamp e um dos responsáveis por alçar o grupo à elite mundial da engenharia aeronáutica universitária. Atualmente é Editor-Chefe do AEROIN.

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