Cathay Pacific cortará mais voos após transportar apenas 582 pessoas em um dia

Em novo comunicado à imprensa, a Cathay Pacific informa que vai reduzir ainda mais seu número de voos em razão da queda na demanda imposta pela pandemia do coronavírus. Para se ter ideia, a empresa cita que seu volume de passageiros caiu para apenas 0,6% da média diária normal de 100.000.

Uma reportagem do SCMP diz que a Cathay Pacific chegou a transportar apenas 582 clientes em um dia desta semana e que a taxa de ocupação foi de 18,3%. Esses números são totalmente inviáveis para uma empresa com uma frota de 236 aviões e que normalmente transportaria 100.000 pessoas por dia. A queda vertiginosa foi de 99,4%.

A operação da Cathay Pacific é basicamente toda internacional de longo curso, deixando para sua nova subsidiária HK Express os voos mais próximos na região. Portanto, com as fronteiras fechadas e restrições de viagens em todo o mundo, é natural que seus passageiros não conseguissem mais chegar a seus destinos como antes.

A malha aérea atual da empresa estará reduzida em 97% e será composta de 11 destinos na região, incluindo Pequim, Xangai, Taipei, Cingapura e Délhi. E mais um punhado de voos de longo curso para Londres, Vancouver, Sydney e Los Angeles, que operam com uma taxa reduzida de dois voos por semana. Nas quatro rotas, a Cathay normalmente faria cerca de 100 voos por semana.

Outras medidas

Augustus Tang Kin-wing, o CEO, e Patrick Healy, presidente, disseram que fariam um corte de 30% nos seus salários de abril a dezembro, enquanto os diretores executivos teriam um corte de 25%. “Ainda é impossível prever um cronograma para uma recuperação da demanda”, disse Tang no memorando.

Cathay disse que mais funcionários estavam sendo dispensados ​​ou tirando licenças não-remuneradas nas regiões afetadas, onde os voos foram reduzidos ou parados. A maior parte dos 32.000 funcionários do grupo estão afastados até o final de abril.

Negociações estão também em andamento com parceiros de negócios e fornecedores sobre como reduzir as despesas para os próximos meses. Além disso, para reforçar seu caixa, a Cathay levantou US$ 5,5 bilhões ao vender e re-alugar seis aviões Boeing 777 de longo curso.

As esperanças da empresa nesse momento estão voltadas para a carga. Tang disse que estava capitalizando na “forte demanda de carga”, operando voos fretados e usando aviões de passageiros ao longo de abril, mas ainda diz que suas receitas com frete “ainda estão bem abaixo do ano passado”.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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