Visitamos o Centro de Manutenção da Azul na Pampulha

ESPECIAL

A fusão da Trip e da Azul foi uma das mais bem sucedidas da aviação brasileira. E um dos grandes símbolos desta união é o Centro de Manutenção da Azul, que só cresce.

Centro de Manutenção da Azul Belo Horizonte
Embraer E195 PR-AYL suspenso por macacos




Visitamos nesta semana o centro da companhia no Aeroporto da Pampulha, na capital mineira de Belo Horizonte. O centro é uma herança da TOTAL Linhas Aéreas, que foi a primeira da América Latina a estar certificada para todo tipo de manutenção nas aeronaves ATR 42 e 72, turboélices líderes de mercado na região.

Azul Antonio Eike Renan Dapena
Fomos recebidos no hangar por Antonio Eick e Renan Dapena

O centro de manutenção passou para a TRIP em 2007, quando a companhia adquiriu toda a parte relacionada ao transporte de passageiros regulares e manutenção da TOTAL. E em 2013, com a união da Trip e da Azul o hangar começou a ser expandido atendendo a frota dos Embraer E190/E195, os famoso E-Jets que são o símbolo da companhia.

Hangares recebem até dois ATR simultaneamente

Fomos recebidos no Centro de Manutenção da Azul pelo Antonio Eick, Gerente Geral de Manutenção da Azul e velho conhecido nosso. Em 2012 Eike estava na TAP M&E, na unidade de Porto Alegre, onde nos mostrou o serviço da companhia portuguesa parceira da Azul. Hoje ele está na companhia brasileira exercendo o mesmo grande trabalho.

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Acompanhado dele estava o Renan Dapena, Gerente de Planejamento e Controle de Produção, que organiza todo o trabalho de manutenções programadas e não programadas da Azul na Pampulha. Ambos apresentaram as novidades da área de manutenção da companhia e as perspectivas.




A maior novidade está na foto que ilustra esta matéria: o novo hangar da companhia em Minas, feito de lona especial com proteção hermética. Este novo hangar pode abrigar tanto os ATRs e os Embraer E1 quanto os E2 que serão recebido a partir do próximo ano ou os A320neo que em um futuro próximo irão pousar na Pampulha para manutenção.

Canarinho Azul finalizando seu Check C

Atualmente os checks de manutenção feitos em Belo Horizonte são os tipo Heavy Maintenance: Check C e Check D, no quais a aeronave é praticamente desmontada e remontada. Os Embraer PR-AYL e PR-AUA estavam passando por este tipo de manutenção durante nossa visita.

Interior de um ATR 72-600 durante Check C

O Check C é realizado a cada dois anos em média, e compreende uma série de reposição de peças, verificação de corrosões e testes não destrutivos. Os motores podem ser trocados, os trens de pouso são testados quando a aeronave está suspensa com macacos, e o piso e o revestimento da cabine são totalmente retirados.

Este tipo de manutenção dura em média 30 dias. Já o Check D é o maior de todos: é feito entre os 12 e 15 anos de idade da aeronave e pode durar até 2 meses.

As instalações da Azul na Pampulha também contam com um grande número de oficinas que fazem reparos de componentes fora da aeronave, como também testes e recuperação dos mesmos. Os hangares podem ainda ser utilizados para pintura.

Muito em breve as instalações da Azul na Pampulha irão receber os Airbus A320neo e a dupla de Boeings 737-400F da Azul Cargo, abrangendo assim toda a frota narrowbody da companhia.

Mas nem tudo é só trabalho neste Centro de Manutenção da Azul. A empresa é conhecida nacionalmente pelo empenho em promover um bom ambiente de trabalho. Nos seus hangares em PLU não é diferente. O Hangar 3 conta com a chamada “Sala de Descompressão”.

Apesar do nome técnico, é uma área em que o único requisito para entrar é querer se divertir: a sala conta com mesas, cozinha, refeitório, jogo de totó (pebolim/fla-flu) e também videogame Xbox para os funcionários se descontraírem nos intervalos dos seus turnos.

Uma estrutura desta é importante, dada a seriedade do trabalho de manutenção da empresa que voa para o maior número de destinos no país: são mais de 100 e muitos deles remotos, operados unicamente pela Azul e sem grande suporte técnico disponível.

Após a visita, saímos novamente com a satisfação de confirmar a seriedade da Azul em seus trabalhos, da mesma forma como ocorreu quando visitamos a sede administrativa da companhia em Alphaville. Uma empresa aérea exemplar.

Visitamos os bastidores da Azul Linhas Aéreas.

Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A

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